Thursday, February 4, 2016

O Satíricon - Petrónio

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Até ao momento foram três as obras que mencionaram este clássico de Petrónio:
Em "O Grande Gatsby" a referência fez-se através da menção ao "Festim de Trimalquião".

Esta é a primeira vez que Petrónio surge no nosso blogue, e será provavelmente a última, uma vez que o seu "Satíricon" é a única obra que terá chegado até aos nossos tempos. Por este motivo e apesar da última experiência de leitura de um clássico romano (ver o meu post sobre "A Arte de Amar", de Ovídio), foi com enorme curiosidade que me dediquei à leitura desta sátira clássica.

Obtive este exemplar na Feira da Ladra de Lisboa em Outubro de 2014, mas a forma como o obtive foi bastante peculiar, e para mim única. Isto porque, apesar de o vendedor estar a pedir apenas 50 cêntimos, estávamos no fim da feira e naquele dia tinha ficado sem dinheiro. Nem uma moeda... O vendedor apercebendo-se da minha desilusão por não o poder comprar, ofereceu-mo! A princípio não quis aceitar, mas acabei por fazê-lo pensando que um dia haveria de o voltar a encontrar na feira e "acertar contas". Infelizmente isso não aconteceu (ainda), mas fiquei-lhe para sempre grata, e com esta feliz memória.

Linked synopsis...

"Caso único, pelo tema, pela estrutura e pelo estilo, Satyricon, o célebre texto atribuído a Petrónio (conselheiro de Nero e testemunha daquela época de extravagância, diletantismo e volubilidade sexual), sai agora a público, na primeira versão feita para português a partir do original latino. Este ‘livro das lascívias’, considerado o primeiro romance realista e pai do género picaresco, constitui uma sátira prazenteira, lúdica e crítica, dos excessos da Roma imperial do século I. Cerca de dois mil anos depois, o leitor, seduzido, desde as primeiras páginas, pela rede de episódios satíricos desta obra estilisticamente simples e narrativamente moderna, entra num universo singular, cujos contornos, porém, são intemporais. A espantosa galeria de personagens de Satyricon exibe-se num desenho tão exacto que as torna inquestionavelmente verosímeis, quase reais, e actuais: Trimalquião, por exemplo, o novo-rico cuja monstruosa fortuna corresponde apenas a um monstruoso gosto e a uma monstruosa educação, ou Encólpio, o narrador falicamente dotado que tem que sofrer os amargos desaires da impotência, ou Gíton, o adolescente cuja beleza desarma qualquer um, etc. Paródia, humor, ironia, é esta a atmosfera que aguarda o leitor desta obra maior, na belíssima tradução de Delfim Leão."

Linked opinion...

Para quem tem acompanhado este blogue não será novidade que se por um lado a leitura dos clássicos gregos me tem apaixonado, por outro, dos clássicos romanos não guardo as melhores recordações. Contudo, este Satíricon de Petrónio quebrou essa tendência. 

Mesmo recordando os anteriores clássicos romanos lidos para este blog, foi sempre impressionante testemunhar os paralelismos de uma sociedade tão antiga com a nossa sociedade actual. A impressão inicial causada por esse livro foi mesmo essa, já que a primeira parte se inicia com um debate sobre a educação, o papel dos professores, pais e alunos, debate esse que se adequa ainda aos dias de hoje.

A realidade satirizada que Petrónio nos apresenta, impressionou-me. É uma exposição crua e tremendamente dura desta sociedade decadente, sem valores ou moral, entregue ao prazer e aos vícios. O exagero dos cenários, das confrontações, dos personagens e acontecimentos, resultou numa escrita interessante, agressiva para os sentidos, construções mentais e expectativas. Resumindo, Petrónio mexe com aquele que lê o seu Satyricon e não o faz de forma superficial. 

Infelizmente para os leitores, a obra chega-nos inacabada, com enormes lacunas tornando a narrativa entrecortada e difícil de acompanhar. É mesmo doloroso o facto de o final do livro se ter perdido também. É minha opinião no entanto que devemos ficar gratos por parte significativa da obra ter sobrevivido aos nosso dias.

Finalizando, recomendo esta leitura a quem tenha de antemão algum interesse nesta obra, seja pelo seu cariz histórico, pela sua importância literária ou pela adaptação cinematográfica de Fellini.  

 Linked opinion by other bloggers...

Linked books...

A Ilíada - Homero (foi mencionada a obra, o autor, Calcas, Helena, Hilas, a tomada de Tróia e o cavalo de Tróia)

A Odisseia - Homero (foi mencionada a obra, o autor, e o coro das sereias)

Quo Vadis - Henryk Sienkiewicz - este título foi mencionado no prefácio (de autoria de Jorge de Sampaio)

Os Rastejadores - Sófocles
Electra - Sófocles
O autor Sófocles foi mencionado neste texto, e para representar essa referência considerei estes dois títulos por já se encontrarem na nossa lista de livros a serem lidos. Relembro que neste blogue já lemos de Sófocles os seguintes títulos: Ájax, Antígona, Filoctetes, e Rei Édipo

Hécuba - Eurípedes
Fedon - Platão
Leis - Platão
Eurípedes e Platão foram mencionados neste livro, e para representar essa menção considerei os títulos destes autores já existentes na nossa lista de livros a serem lidos.
Odes - Píndaro ( o autor foi mencionado, e este título foi escolhido para representar essa ligação, por ter encontrado uma edição à venda na wook)

Agamemnon - Ésquilo (foi mencionada Cassandra, cativa de Agamemnon)

Fábulas - Esopo (foi mencionada uma fábula de Esopo em que o salteador quer as roupas do hospedeiro e para isso diz que se transformará em lobo após bocejar três vezes)

Eneida - Virgílio (Virgílio foi mencionado e citado: "Entretanto Eneias e os seus barcos fizeram-se ao largo")
Odes - Horácio
Arte Poética - Horácio
Horácio foi mencionado, e estes foram os títulos escolhidos para representar essa referência por já se encontrarem na nossa lista de livros a serem lidos.

Linked historical figures...
Aníbal
Píndaro
Agamémnon
Sófocles
Platão
Eurípedes
Demóstenes
Tucídides
Hipérides
Cícero
Mílon de Crotona
alusão a este atleta na frase/provérbio: "Pode-se carregar o touro, quando se carregou o bezerro"
Hiparco
Publilio
Zêuxis
(foram mencionadas as obras do pintor Zêuxis)
Demócrito
Crisipo
Apeles
Fídias
Linked political factions...
foi mencionada a "facção dos verdes" no circo (romano)
Linked musical instruments...
Crótalos
Sistro

Linked mythological figures...
Aves do Estínfalo
Príapo
(foi mencionada a "capela de Príapo" e o "deus Príapo")
Juno
Mercúrio
Minerva
Fortuna
Mársias
Íncubo
Medeia
Níobe
Dédalo
Tântalo
Ganimedes
Calcas
Parténope
Tisífone
 "Deuses Penates"
Belona
Dione
Procne
(na imagem à esquerda)
Linked places...
Corinto
(cidade grega da antiguidade, foi referido um "burro de bronze de Corinto")
Delos 
(ilha grega)
Tarento
Tarragona
Cápua
Capadócia
Éfeso
Pérgamo
foram mencionados "os cumes do Ida"
Tenedos
Cólquida
Crotona
Numídia
Cartago
Hélicon
Filipos
Palatino
Tasos

Linked drink...
vinho Falerno
Linked currency...
Asse 
Sestércios

Linked dye...
Púrpura de Tiro
Linked animals...
Papa-Figos

Linked flora...
Abrótono
Papoila Dormideira
Mirto
Terebinto
Silphium 
planta da antiguidade clássica, extinta. A moeda acima apresenta uma imagem do que seria um caule desta planta.
Arruda
Nardos
Linked games...
Morra
Linked dance...
Cordax

Linked clothing...
Toga Pretexta
fato de gladiador Trácio
Linked superstitions...

 Cuspir no Vestido como acto que serve para afastar o mau olhado.

Linked movies...

Satyricon de Fellini (1969)
(Fellini foi mencionado no prefácio de Jorge de Sampaio)

Linked looked up words...
açafate - cesto de vime de bordo baixo, sem asas nem arco.
adelo - pessoa que compra roupas e coisas usadas para revender.
atelanas - farsas populares usadas na antiga Roma.
austro - o sul; vento de sul.
aquilão - [antigo] [náutica] vento de nordeste; vento de norte; [linguagem poética] vento violento e frio.
burel - tecido grosseiro de lã de ovelha bordaleira; hábito religioso, geralmente feito desse tecido.
caduceu - varinha ou bastão encimado por por duas asas e em que se enroscam duas serpentes cujas cabeças ficam viradas umas para as outras no topo, atributo do deus Mercúrio, e que hoje costuma empregar-se como símbolo do comércio. 
calendas - primeiro dia de cada mês, entre os romanos.
decúria - subdivisão militar romana.
émulo - que ou o que tem emulação por.= adversário; competidor; concorrente; rival.
ergástulo - local onde se cumpre uma pena de detenção = cárcere, masmorra, presídio, prisão; [figurado] antro de miséria.
fressuras - conjunto de vísceras comestíveis da rês.
lictor - cada um dos doze portadores de varas que acompnahavam os cônsules na antiga Roma.
orco - região dos mortos, inferno.
ouropéis - folha delgada de latão ou de cobre; liga de cobre e zinco que imita o ouro = ouro falso, pechisbeque; [figurado] falso brilho ; [figurado] aparência enganosa.
saturnais - festas realizadas na Roma antiga em homenagem a Saturno.
serrazinhar - maçar, falar constantemente do mesmo assunto.
sirtes - banco de areia movediça; banco de areia, rochedo ou penhasco perigoso para a navegação, [figurado] situação perigosa ou arriscada = escolho, perigo.
terçã  - diz-se da febre cujos acessos se repetem deixando entre si um dia de apirexia.

2 comments:

  1. Tu não és mesmo filha dos meus pais, senão levavas já um raspanete. Então o meu pai era logo: NUNCA SE SAI DE CASA SEM DINHEIRO!!!!!!!!!!" LOL, mas depois não terias uma história tão peculiar para contar! :p
    Roberta

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  2. ahahaaha...mas eu saí de casa com dinheiro, só que por esta altura já o tinha gasto todo...(e em livros!...o que me faz lembrar a filha dos teus pais :P)!

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