Friday, December 11, 2015

Diabos Levem a Musa - Inês Montenegro

Linked by...
Este conto surge no Linked Books por duas vias distintas. Em primeiro lugar, foi-me sugerido por Vítor Frazão na plataforma Goodreads. Entretanto havia sido lido para este blogue um outro conto da autora ("Fragmento") que ficou "linkado" a este por já se encontrar na nossa lista de livros a serem lidos.

Mas qualquer que tenha sido a forma como Inês Montenegro tenha regressado ao nosso blogue, recebi esta nova leitura com bastante vontade e expectativa, já que a minha anterior experiência de leitura com o título "Fragmento" , mencionado atrás, foi bastante positiva.

Acedi a esta obra gratuitamente no site Smashwords. Está também disponível no blogue Fantasy & Co.

Linked synopsis...

"Em véspera de data limite para entregar a sua mais recente obra, a Musa foge ao Escrivão para um jantar romântico com um Dragão."
fonte: Goodreads

Linked opinion...

Mais uma vez a autora não desiludiu, e "entregou-nos" um conto muito bem escrito e criativo. Desta vez, trata-se de uma história ligeira e até um pouco divertida. Alguns personagens são novidade, enquanto que outros, clássicos dos mundos fantásticos, se comportam de forma curiosa e talvez inesperada. Originalidade e bom humor são os ingredientes com que podem contar, neste conto cuja leitura  se faz num pequeno "instante de recreio". 

Linked opinion by other bloggers...

Não tendo encontrado outros blogues com posts sobre esta obra, deixo-vos algumas opiniões individuais que recolhi:

"Um mash-up light e divertido da habitual frustração literária com a fugidia musa e do clássico dragão devorador de virgens."
opinião de Vitor Frazão (fonte: Goodreads)

"Estas musas têm que ser postas na linha...já não há respeito! Em todo o caso, está um conto engraçado. Gostei :)"
opinião de Carina Portugal (fonte: Fantasy & Co.)

Linked books...

Os Lusíadas - Luis Vaz de Camões (no texto surge a frase "das águas nunca dantes navegadas" que nos remete inevitavelmente para a obra prima de Camões)

Luar de Janeiro - Augusto Gil (é citado uma frase do poema "Balada de Neve", publicado neste livro)

Linked poem...

A frase "Batem leve, levemente, como quem chama por mim..." leva-nos ao poema "Balada de Neve" de autoria do poeta Augusto Gil, que aqui transcrevemos.

BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente, 

como quem chama por mim. 

Será chuva? Será gente? 
Gente não é, certamente 
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania: 

mas há pouco, há poucochinho, 

nem uma agulha bulia 
na quieta melancolia 
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente, 

com tão estranha leveza, 

que mal se ouve, mal se sente? 
Não é chuva, nem é gente, 
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía 

do azul cinzento do céu, 

branca e leve, branca e fria... 
– Há quanto tempo a não via! 
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça. 

Pôs tudo da cor do linho. 

Passa gente e, quando passa, 
os passos imprime e traça 
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais 

da pobre gente que avança, 

e noto, por entre os mais, 
os traços miniaturais 
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos... 

a neve deixa inda vê-los, 

primeiro, bem definidos, 
depois, em sulcos compridos, 
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador 

sofra tormentos, enfim! 

Mas as crianças, Senhor, 
porque lhes dais tanta dor?!... 
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza, 
uma funda turbação 

entra em mim, fica em mim presa. 
Cai neve na Natureza 
– e cai no meu coração.

fonte: http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/agil.htm


Linked biblical figures...

Adão e Eva

Linked poets...

Augusto Gil 
(foi citada uma frase do seu poema "Balada da Neve", transcrito na rubrica anterior)
Luís Vaz de Camões
(mencionado indirectamente por existir no conto uma frase que remete para a sua obra "Os Lusíada"s)

Friday, September 4, 2015

Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll


Linked by... 
Já era tempo de apresentar esta obra  que possui várias ligações a outras leituras do nosso blogue, e que acreditamos que virá a ter muitas mais por se tratar do clássico que é. As obras já lidas pelo Linked Books responsáveis por nos guiarem até esta leitura foram:

Linked synopsis...
"- Cada vez mais estranhíssimo! - ela estava tão estupefacta que por momentos se esquecera como se falava corretamente. - Agora estou a crescer como se fosse o maior dos telescópios! Adeus, pés!" "Fiz a minha heroína descer pela toca do coelho… sem fazer a mais pequena ideia do que iria acontecer a seguir", escreveu Lewis Carroll ao descrever como criou Alice uma tarde, em 1862, para entreter a sua amiga Alice Liddell. Os seus mundos mágicos do País das Maravilhas retratam uma ordem virada do avesso. Mas por entre o humor anárquico e os jogos de palavras, quebra cabeças e enigmas brilhantes, há comoventes momentos de nostalgia pela infância perdida. Cento e cinquenta anos após a sua primeira publicação, Alice continua, sem rugas, a arrancar gargalhadas."
fonte: wook

Linked opinion by other bloggers...

  • opinião de Célia no blog "Estante de Livros"
  • opinião por Cláudia de Sousa Dias no blog "HÁ SEMPRE UM LIVRO... à nossa espera!"

  • Linked opinion... 
    Engraçado como este blog me tem surpreendido (muito pela positiva). Para além de colher prazer na leitura de obras que não conhecia, penso que consigo elevar o meu nível de cultura geral através das pesquisas que pratico no decurso da realização de um post. Vejamos porquê.

    Esta data [2015] foi provavelmente a mais adequada para dar início a este post e para proceder à leitura desta obra. Sem ter sido premeditada, acabou por coincidir com a celebração dos 150 anos da obra, mais concretamente a 04 de Julho de 1865, dia em que é actualmente celebrado o "Dia da Alice", um detalhe que não tinha conhecimento. Em 1862, enquanto passeava de barco no rio Tamisa com uma amiga e duas irmãs dela, Lewis Carroll deu os "primeiros passos" na elaboração desta obra, ao contar-lhes uma história, na qual se reflectiam várias experiências de vida. Não sei se terá sido de forma intencionada, mas o nome da amiga (Alice Lidell) deu vida à personagem principal.

    Só em língua inglesa podem-se contar mais de 100 edições, tendo sido traduzida em muitas outras línguas. A minha edição, ou seja, a que me emprestaram (sim, acertaram, mais um livrinho cedido pela Roberta, uma das administradoras do blog FLAMES), é uma distribuição da Global Notícias, Publicações S. A. e pertence à colecção Biblioteca de Verão. Obrigado Roberta (once more) :-D

    Outra coisa que não sabia foi a revelação da verdadeira identidade de Lewis Carrol, o pseudónimo adoptado por Charles Dogson, um matemático de carreira. Nessa incursão pelo mundo da pesquisa fiquei chocado com uma suspeita de pedofilia que ronda o autor, mas isso é um tema que foge à finalidade do blog e prefiro que pesquisem por vós mesmos.

    Apesar de ser um ícone da literatura inglesa, pessoalmente não gostei do estilo, por achar que o autor faz um grande abuso de "fantasia". Ou seja, inicialmente apreciei a imaginação do autor, a premissa de uma  menina a cair numa toca e depois a deparar-se com um mundo mágico, sem dúvida que promete. Mas de um momento para o outro é a vez do autor cair - no ridículo em vez de uma toca. Os diálogos e a evolução de toda a trama não fazem sentido algum, nem com um GPS me saberia situar em parte alguma de todo o enredo. Ridículas são também as estrofes das várias cantigas que aparecem no decorrer da leitura [ou terá sido a má tradução?]. Acho que a parte mais bem conseguida foi a descrição dos personagens. Aí sim, qualquer criança fica encantada ao conhecer um Chapeleiro Louco, a Rainha de Copas e as suas guardas, o Coelho, o Gato... fora isso, acho que o Lewis Carrol teve de recorrer à sua verdadeira profissão e começar a fazer contas para terminar a história. Desculpem-me todos os aficionados da Alice, mas acho que esta obra foi mal equacionada e teve uma nota negativa.

    Infelizmente, uma história que tanto me proporcionou prazer em criança ao ver na tv as adaptações para desenhos animados, acabaram por se revelar uma verdadeira perda de tempo, quando passei à leitura da obra. Duvido que volte a dar uma nova oportunidade ao autor, fiquei verdadeiramente desiludido. Mas isso é apenas a minha opinião, pode ser que a vossa seja totalmente oposta à minha e venham aqui ralhar comigo. Aliás, quero lançar um desafio, leiam e deixem ficar em forma de comentário o vosso veredicto.

    Linked people...
    Rei Guilherme "O Conquistador"
    Arcebispo Stigand
    Linked animals...
    Fox Terrier (pêlo duro)
    Arganaz
    Dodó
    Linked game...
    Campo de croquet
    Linked movies...


    "Alice no País das Maravilhas" na RTP 1 em 1987 (disponível no youtube)
    Esta série terá sido o meu primeiro contacto com Alice



    Linked mithological figure...
    Grifo
    Linked profession...
    Lacaio de libré
    Linked looked up words...
    badanal - substantivo masculino 1. [Informal] Desordem. 2. Lufa-lufa.
    narguilé - substantivo masculino Espécie de cachimbo de água, frequente em países orientais e do Norte de África
    pândego - adjectivo e substantivo masculino Patusco, estroina.
    rainúnculo - substantivo masculino Ranúnculo. Palavras relacionadas: borboleta.

    Thursday, June 11, 2015

    Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente

    Linked by...
    Desta vez, foi José Cardoso Pires, autor de "O Delfim",  a referir este maravilhoso clássico da literatura portuguesa. Uma obra que conhecia apenas "de ouvido" e que já me havia sido sugerida várias vezes. Muitas "dessas vezes" devem-se à Roberta, (administradora do blog "FLAMES") à qual quero desde já agradecer, pelo facto de disponibilizar muitas das obras a que tenho tido acesso nos últimos tempos. Esta edição faz parte de um manual, a colecção chama-se Ser em Português  e pertence à Areal Editores.

    Linked sinopsis...
    "Esta edição escolar e ilustrada de Auto da Barca do Inferno inclui inúmeras notas destinadas a esclarecer questões relativas ao vocabulário e ao enquadramento da peça no seu tempo, para além de outras observações destinadas a despertar o sentido crítico do leitor. Inclui ainda uma útil introdução, destinada a contextualizar a peça e o seu autor, bem como a fornecer ao aluno elementos que lhe permitam compreender esta obra de Gil Vicente: a temática, a encenação, as personagens, os processos de cómico, a linguagem."
    fonte: WOOK
    Linked opinion by others...
    opinião em "Overdose"
    opinião por "Open Page"

    Linked opinion...
    À primeira vista, a impressão que este manual nos transmite é que, a baixa qualidade da edição e o formato deixa muito a desejar. Mas assim que o abrimos e começamos a folhear essa sensação começa a esmorecer pela qualidade do seu conteúdo.  Esta é uma oportunidade perfeita para podermos utilizar a expressão: "Nunca se deve julgar um livro pela sua capa". A sua introdução está muito bem conseguida, ou seja, a contextualização entre o autor e a peça é fornecida ao leitor de forma a permitir-lhe uma maior compreensão entre a encenação, os personagens, a linguagem adquirida e sobretudo a temática. Um pormenor que eu gostei bastante foram as ilustrações, apesar da sua simplicidade possui um "traço" do qual eu sou fã e enquadra-se perfeitamente na história.

    Gil Vicente é mais um autor que se estreia no nosso blog e a nível pessoal também. Este autor, como salientei anteriormente, era até à data um nome que eu tinha conhecimento mas nunca tinha tido o prazer de ler nada da sua autoria. Reconhecido como o primeiro grande dramaturgo português (que possui um estilo de escrita bastante diferente daqueles a que estou acostumado, pelo menos nesta obra), surpreendeu-me bastante. Adopta nos diálogos o vocabulário e gíria/calão próprios da época, o que me intimidava. No entanto, reparei rapidamente que iria ter a leitura bastante facilitada, isto porque em todas as páginas existe um glossário que nos retira qualquer dúvida que tenhamos (refiro-me a esta edição em particular). Este aspecto poupa-nos tempo e desnecessárias procuras num dicionário. À medida que avançamos, vamos-nos "familiarizando" cada vez mais e começamos a sentir um crescente conforto que irá desencadear um maior prazer na leitura.

    Em suma, trata-se de uma sátira que retrata a sociedade do séc. XVI, onde nos são mostrados os estatutos das camadas sociais. Toda a trama se desenrola numa fase post-mortem e cada personagem tem um papel determinante que adorei. Os processos do cómico estão incluídos nos diálogos, por isso, o bom humor é uma presença constante. Pensava que iria apanhar uma "seca". No entanto, este "livrinho" foi uma verdadeira surpresa, tendo-me proporcionado bons momentos de leitura e aprendizagem. Consegui entender o porquê de ser estudado nas escolas. Aconselho-o vivamente e vou manter futuramente este autor "debaixo de olho" nas minhas incursões pelas feiras e alfarrabistas.

    Linked books...
    Não foram encontradas referências directas a outros livros. Contudo, por o Auto da Barca do Inferno ser a primeira parte da chamada "Trilogia das Barcas", resolvemos considerar como link a seguir, o segundo título da trilogia:
    Auto da Barca do Purgatório - Gil Vicente

    Linked personalities...
    D. Manuel I de Portugal
    Barrabás
    Garcia Moniz
    Linked religious figures...
    S. Gregório
    S. Domingos
    S. Miguel 
    S. Marçal
    Linked animals...
    Grou
     Linked church...
    Igreja de São Gião
    Linked flora...
    Boninas
    Linked plays...
    Grupo de Teatro Lethes  
    (parte 1/6 - disponível no Youtube)

    Linked looked up words:
    almários - [Popular] O mesmo que armário.
    arrais -  Mestre ou patrão de barco. Guia, condutor [Figurado].
    arrecear - O mesmo que recear.
    asinha -  Depressa, com brevidade. Pequena asa.
    atavio - adorno, enfeite, gala; aparelhos, apetrechos: atavios de guerra.
    auto - peça teatral em forma poética, de origem medieval, que focaliza temas religiosos e profanos; criação essencialmente popular, apresenta uma linguagem que integra vocabulário e expressões consagradas pelo povo. 
    avença -  Tipo de acordo feito entre as partes que estão envolvidas numa disputa litigiosa; aveniência. Ação de unir, de concordar, de estar em harmonia com; concórdia ou união. Ordenado, pago em dinheiro, atribuído durante um prazo previamente determinado. Falta de entendimento; brigas ou confusões.
    baraço - corda fina, cordel; laço de forca; corda com que se enforcavam os condenados; pessoa prepotente, despótica [figurado].
    barzoneiro -  ocioso; vadio. 
    beleguim - empregado inferior de justiça que citava, prendia etc. ; agente policial ou judicial. 
    bolinar - alar com bolina; enganar, embair, lograr; navegar à bolina. 
    borregada - pancada
    chantadas - colocadas, arrumadas.
    cortiço - caixa de cortiça dentro da qual as abelhas fabricam a cera e o mel;  casa de habitação coletiva da classe pobre; casa de cômodos.
    coxim - almofada grande que serve de assento; assento de ferro, colocado sobre o dormente, no qual repousa o trilho.
    enlheos - enredos.
    freguados - castigados, atormentados.
    fumoso - que exala fumo ou vapores; cheio de fumo; jactancioso, orgulhoso, vaidoso.
    giricocins - asnos.
    grosa - lima grossa para desbastar madeira ou casco de cavalgaduras; faca de fio embotado para descarnar peles; maledicência, murmuração.
    guarecer - curar, sarar.
    marchetada - que se fez segundo os processos da marchetaria; tauxiado; matizado, policromo; obra de marchetaria.
    muitieramá - em muito má hora.
    mundanal - o mesmo que mundano. 
    onzeneiro - que tende a armar ou fazer intrigas; que faz mexericos; mexeriqueiro; particular de onzena (juro de 11%); onzenário.s.m. Indivíduo onzenário; avarento. (Etm. onzena + eiro)
    peguilho - aquilo que pega ou prende; embaraço; causa de demora; enguiço, pecado, crime.
    peitas - corrompes; subornas; subornar; procurar corromper com peitas.
    peleja - luta, combate, briga; desentendimento, desavença.
    salvanor - o devido respeito.
    samicas - maricas; indivíduo pobre de espírito; homem sem ação; porventura, quiçá, talvez.
    sandeu -  definido pela sandice; que está relacionado ou foi composto por sandice; discurso tolo; dito da pessoa imbecil; pateta; que se comporta de modo simplório; que demonstra ingenuidade; tonto. 
    scilicet - advérbio latino que significa "isto é"
    seirão - seira grande, espécie de cesto, de esparto, cipó, ou vime, usado para transportar cargas sobre animais.
    sus -  usa-se para incitar ou animar, significando Eia! Coragem! Ânimo!
    tordião - baile cantado; canto, que acompanhava o bailado.
    trinchão - aquele que trincha; trinchante; bom bocado, grossa fatia.

    Tuesday, May 26, 2015

    Os Persas - Ésquilo

    Linked by...
    Foi a tragédia "Prometeu Agrilhoado", uma outra obra de Ésquilo, que conduziu o Linked Books a este título. Na "Introdução" de "Prometeu Agrilhoado", foram nomeadas todas as obras de Ésquilo que chegaram até aos nossos tempos, e esta foi a primeira obra a ser referida, tendo sido também mencionada nas notas ao texto principal.

    A minha experiência anterior com Ésquilo, tal como poderão ler no post "Prometeu Agrilhoado" foi bastante positiva. Poderia ter sido ainda melhor, se não tivesse lido em primeiro lugar a "Introdução", que desempenhou o papel de spoiler à leitura do texto principal. 

    Desta vez, deixei para leitura final o capítulo que precede o texto, intitulado "Sobre Os Persas", para tentar assegurar que nada interferisse com a leitura desta tragédia de Ésquilo, a segunda obra do autor no nosso blogue.

    Linked synopsis...
    «Esta é a mãe de todas as guerras» é uma linguagem recente que traduz o estado de espírito dos guerreiros persas em Salamina, no ano de 480 a.C. Também aqui a sorte foi madrasta e valeu ao mar o ser incorruptível porque as suas ondas rolaram corpos incontáveis de heróis que pagaram caro um projecto acima da condição humana. A figura de Xerxes, no êxodo da peça, em suas vestes reais esfarrapadas, é mais do que um homem que falhou um sonho, porque é a imagem dum povo em que os deuses punem exemplarmente o pecado da hybris.

    Linked opinion...
    Esta foi uma leitura que não superou as minhas expectativas iniciais, pois esperava um pouco mais desta tragédia de Ésquilo.

    Achei o texto bastante repetitivo, com um enredo monótono e pouco diversificado. A acção é quase inexistente, tratando-se maioritáriamente, de uma descrição pormenorizada da derrota do exército Persa pela mão do exército Grego. Sendo o relato feito pela voz dos Persas, é um relato muito pungente, cheio de emoção, que não deixa o leitor indiferente. Assistimos à dolorosa ampliação da desgraça dos Persas, que remete para uma subtil glorificação da superioridade militar grega. No entanto, para além deste aspecto central, muito bem conseguido e que se repete ao longo de toda a tragédia, este texto pouco mais me "falou". 

    Enquanto leitora senti a falta de algumas das características da tragédia grega, e interroguei-me sobre esta estrutura um pouco diferente das que li anteriormente. Uma pesquisa sobre esta obra, revelou-me que Os Persas seriam a segunda tragédia de uma tetralogia (grupo de três tragédias, seguidas de uma peça satírica, tudo do mesmo autor), mas que foi a única chegar até aos nossos dias. Sabendo isto, julgo que apenas lendo a obra no seu devido contexto se poderia avaliar correctamente sobre a mesma. Infelizmente, tal já não é possível, e apesar de não ter gostado particularmente desta peça, reconheço o seu valor, e fico feliz por a mesma ter sobrevivido até aos nossos dias. Não posso no entanto aconselhar a sua leitura.

    Linked books...

    Ilíada de Homero (obra mencionada nas notas)

    As Suplicantes - Ésquilo (mencionado no capítulo "Sobre os Persas", da autoria de Urbano Tavares Rodrigues)

    Poética - Aristóteles (mencionado no capítulo "Sobre os Persas", da autoria de Urbano Tavares Rodrigues)

    Linked places...
    Susa
    Ecbátana
    Susiana ou Elam
    (local mencionado nas notas)
    Caldeia
    (região mencionada nas notas)
    Sardes
    Tmolos
    Babilónia
    Jónia
    Atenas
    Monte Aigaleu
    (mencionado nas notas)
    Beócia
    Golfo Malíaco
    Tessália
    Frígia
    Trácia
    Bósforo
    Helesponto
    Linked islands...
    Salamina
    Lesbos
    Myconos
    Samos
    Chios
    Paros
    Naxos
    Andros
    Lemnos
    Rodes
    Pafos
    Linked rivers and seas...
    Propôntida
    Halys 
    Áxio
    Rio Strímon
    Linked monuments...
    Parténon
    Palácio de Dário
    Linked people...
    Dário I
    Xerxes I
    Estrabão
    (historiador, geógrafo e filósofo grego mencionado nas notas)
    Heródoto
    (historiador e geógrafo grego mencionado nas notas)
    Rainha Atossa
    Wilamowitzmencionado no capítulo "Sobre os Persas", da autoria de Urbano Tavares Rodrigues
    Périclesmencionado no capítulo "Sobre os Persas", da autoria de Urbano Tavares Rodrigues
    Linked mythological figures...
    Tmolos
    Helle
    (foi mencionado no texto o Estreito de Helle, e nas notas Helle, filha de Atamás)
    nota: na imagem Helle e Frixo
    Ares
    Febo
    Palas
    Ájax
    na imagem: Ájax carrega o corpo de Aquiles
    Asopo
    Poseídon
    Zeus
    Ícaro
    Hermes
    Linked ancient civilizations...
    Lídios
    Mísios
    Bactrianos
    Dórios
    Linked historical events...
    Batalha de Maratona
    Linked clothing...
    Borzeguins
    Linked literary terms...
    Kommos
    termo mencionado no capítulo "Sobre os Persas", da autoria de Urbano Tavares Rodrigues
    Linked looked up words...
    baldaquino - dossel sustentado por colunas; obra arquitectónica em forma de coroa sustentada por colunas; pálio.
    carcás - o mesmo que aljava.
    flébil - que chora ou é semelhante a choro = choroso, plangente; sem energia = fraco, frágil.
    galeota - pequena galé = galeote; embarcação comprida de remos; prego esquinado = caibral.
    navarco - na antiga Grécia, comandante de uma frota, de um navio de guerra.
    quiliarco - [militar] comandante de uma quiliarquia (na Grécia antiga, formação composta por mil homens)

    recontro - escaramuça, combate pouco demorado, embate; choque de coisas que seguem direcções opostas; encontro casual; conflito.
    sofrear - suster ou modificar a andadura de (uma cavalgadura), puxando ou retesando a rédea; [figurado] manter-se calmo = conter; refrear.
    tolete - [Náutica] cavilha de ferro ou de madeira colocada verticalmente na borda do barco, para nela jogar o remo por meio de corda ou estropo.
    treno - canto lamentoso; elegia.
    trirremes - [Marinha] que se move por meio de três remos; [Antigo] [Marinha] galera que tem três ordens de remos.