Monday, August 25, 2014

Cimbelino, Rei da Britânia - William Shakespeare

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Foi Oscar Wilde, no seu livro "O Retrato de Dorian Gray" que nos guiou até esta leitura, ao mencionar a personagem Imogénia. Imogénia, filha do Rei Cimbelino, é uma das principais personagens desta tragédia de Shakespeare. 

Como os seguidores deste blogue estão a par, tenho vindo a descobrir Shakespeare, e apreciado todas as obras lidas, pelo que me agrada sempre quando surge outro título do autor. Quem sabe se ainda as acabarei por ler todas.

Esta é uma maravilhosa edição da editora Cotovia, que encontrei novinha em folha, e a um preço irrecusável na Feira do Livro de Lisboa 2014. Uma tragédia de Shakespeare, num exemplar novinho em folha, é "meio caminho andado" para uma magnífica experiência de leitura. Foi  pois com enorme entusiasmo que iniciei a sua leitura.

Linked synopsis...
"Uma das últimas peças de Shakespeare.
Na corte de uma lendária Britânia em luta pela sua independência contra o Império Romano, reina a mentira e a corrupção.
Cimbelino é o rei demasiado enredado nos erros da mesquinhez dos homens e no amor por uma rainha perversa e ambiciosa.
Contraria o casamento de sua filha Imogénia com o puro Póstumo para a casar com um enteado idiota, perdeu dois filhos que a sua injustiça levou da corte para a vida selvagem.
O tempo que tudo corrige e a trama da peça, em que chega a intervir o deus Júpiter, descido á terra por uma águia, matam os maus e vêm corrigi-lo na sua conduta, trazer-lhe os filhos perdidos, reconciciá-lo com a sua filha e restituir-lhe a generosidade que convém a um verdadeiro monarca. E repor a verdadeira dimensão do ser humano."
fonte: contracapa do livro 
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Esta é já a sétima obra lida de Shakespeare para o Linked Books, e não houve até agora um único título que me desiludisse. Antes pelo contrário: fico sempre com vontade de ler mais.

Uma tragédia magnífica, interessante, bem escrita e com tudo aquilo que o autor já me habituou: amores impossíveis, traição, intriga, mal entendidos, corrupção, mentira, morte...e muito mais. Um retrato de humanidade, envolto numa trama simples, mas brilhante. 

Gostei ainda mais desta história, do que de outras mais conhecidas, não desfazendo das outras, claro está. Não quero falar muito mais sobre este livro, para não "arruinar" as vossas leituras, uma vez que a sinopse já diz muito, mas o que desejo mesmo fazer, é recomendar que leiam este livro.

E é esse o meu conselho: leiam Shakespeare. Não tenham medo (eu tinha, confesso). E esta pode ser uma excelente obra por onde começar.

Linked books...
Hécuba - Eurípedes (Shakespeare referiu-se a Hécuba, referindo-se provavelmente à figura mitológica. No entanto, ao pesquisar, descobri também esta obra homónima (a história da rainha Hécuba), e decidi aceitá-la como link)

Foi mencionado Eneias, personagem da mitologia, cuja história é contada nestes dois livros:
Ilíada - Homero
Eneida - Virgílio

Fastos - Ovídio (Shakespeare mencionou a palavra "Fastos", cujo significado pesquisei e coloquei em baixo na rubrica "Linked looked up words...". Verificou-se no entanto que para além desse significado, "Fastos" correspondia também a uma obra de Ovídio)

Linked song...

Linked places...
Porto de Milford (Gales)
Panonia
 Linked mythological figures...
Sínon
Febo
Citereia
Milhano
 Linked legendary creatures...
Basilisco
 Linked flora...
Violetas
Primulas
Jacinto (azul)
Sabugueiro
Cedro
Primaveras



Linked looked up words...
alcaiote - alcoviteiro.
aleive - aleivosia (traição cometida por aquele em quem se deposito fé); calúnia.
arrátel - antiga unidade de peso (459 gramas).
elísio - no Infeno dos antigos, lugar habitado pelos heróis e os homens virtuosos depois da morte; [por extensão] lugar de delícias, de bem-aventurança.
fastos  - tábuas cronológicas dos antigos romanos; registos públicos onde se consignavam os actos e acontecimentos memoráveis; [figurado] a história, anais.
ganapo - velhaco; [regionalismo] rapaz pequeno, garoto.
intemerato - íntegro, puro, imaculado, incorruptível.
lagalhé  - [informal]  homem insignificante =  zé-ninguém, nagalhé, joão-ninguém.
proémio - prefácio; exórdio, preliminar; [figurado] princípio.
vascas - mal-estar físico acompanhado de vontade de vomitar = enjoo, náusea.

Thursday, August 7, 2014

A Flecha Negra - R. L. Stevenson


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Esta obra foi referida no livro "Oliver Twist - Charles Dickens", pelo que entrou na nossa lista de livros "a ler".

Foi adquirida na Feira da Ladra em Janeiro de 2014 pela Cristina e enviado para mim em Julho do mesmo ano. No caso deste exemplar, apesar de não ter o ano de edição, deu para perceber pelo valor impresso (7 escudos e 50 centavos) e pela capa, que já conta uma série de anos. Já se encontra um pouco usado mas por dentro ele está em boas condições, sendo que devo confessar que eu até gosto deste género de livros mais antigos. Editado pela Livraria Civilização - Editora, é o nº 64 de uma série popular, que conta com 80 publicações até à data desta edição.
R. L. Stevenson já me tinha deliciado com outra obra da sua autoria "O Estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde", pelo que parti para a leitura desta história carregado de expectativas positivas. Apesar de se passarem em épocas diferentes e das histórias em nada se assemelharem, a sua escrita continua soberba.

Linked synopsis...
"A Flecha Negra situa-se num período determinante da História de Inglaterra, quando o trono foi disputado por duas casas reais, numa contenda que ficou conhecida como «A Guerra das Rosas», em que se opunham a rosa branca, símbolo da Casa de Lancaster, e a rosa vermelha de York. É neste vivido e empolgante cenário histórico que actua o «bando da flecha negra», um grupo de justiceiros apostados em pôr fim à vida de uma série de vilões, disparando as suas flechas através de bosques cerrados. São ainda narradas as façanhas de Richard Shelton, um jovem cavaleiro que terá de tomar um dos lados do conflito, ao mesmo tempo que vinga a morte do seu pai e salva Joanna, a donzela em perigo, de um casamento indesejado."
fonte: SKOOB

Linked opinion by other bloggers...
opinião em "Dos Meus Livros"

Linked opinion... 
Ao terminar "A Flecha Negra" (título original - "The Black Arrow"), tive uma sensação de déjà-vu. Talvez tenha sido influenciado pela grande quantidade de filmes que vi em criança que me apresentavam aventuras medievais com reis, raínhas, princesas em apuros, castelos deslumbrantes, lutas empolgantes... enfim. Quando era mais novo devorava tudo o que retratasse uma boa aventura passada na época medieval, especialmente se tivesse bastantes cenas de acção. 
Este livro não se afasta muito dessas histórias, mas a forma como o autor escreve e a maneira como descreve a aventura da personagem principal é brilhante. Adorei a forma como retrata as "falas" daquela Era, os galanteios, as juras de amor e de lealdade. Gostei até da forma como algumas personagens declaravam o seu ódio, cheias de floreados! 
Nesta história é-nos apresentado Dick, um jovem que fica aos cuidados de Sir Daniel. Este é líder de um grupo de homens mantidos ao dispôr de quem mais lhe enchesse a bolsa e lhe fizesse aumentar a sua fortuna. Certo dia trava conhecimento com Jonh, um rapaz que é prisioneiro do seu tutor. Após uma série de peripécias, ambos acabam por fugir de Sir Daniel e dos seus homens, fuga esta que nos acompanhará durante toda a obra. Dick terá de travar batalhas de armas e de emoções, e irá descobrir segredos que poderão mudar radicalmente a vida de todos aqueles que o rodeiam.
Apesar da história ser um pouco previsível, o autor mantém-nos num estado de "transe" durante longos capítulos, fazendo-nos ansiar pelo desfecho de cada aventura.
Uma coisa é certa, esta foi a 2ª obra que li de R. L. Stevenson e não será a última.
No entanto, a Cristina já leu outras obras e a opinião das mesmas pode ser encontrada no Linked Books: "O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde""A Ilha do Tesouro""A Caixa Trocada".


Linked books...
Infelizmente este será mais um "Last link", devido à falta de novos "elos" de ligação. Assim sendo, faremos um "rewind" das obras que foram surgindo:
  • A Flecha Negra - R. L. Stevenson, "Last Link" foi mencionada em...
Linked flowers...
Lilases (Syringa L.)
Linked personalities... 




Linked saints... 

Linked historical events...
Batalha de Bosworth (Inglaterra)

Linked drinks...
Na imagem encontra-se retratado uma marca de um dos vinhos da Gasconha, cidade natal de D'Artagnan (Os três Mosqueteiros).

Linked places...
Floresta de Tunstall (Inglaterra)

Kettley (Inglaterra)

Moat House (Inglaterra)

Rio Till (Inglaterra)

Linked movies...

Existe uma versão deste livro em desenho animado. Fiquem com o trecho do mesmo que pode ser visualizado no Youtube. 

Versão 1985 (trailer)

Linked looked up words...
bailio - Nome dado em diversos países a magistrados com várias atribuições e hierarquias. Comendador, nas antigas ordens militares.
poterna - Porta falsa ou galeria subterrânea, por onde se sai secretamente de um local fortificado.
ronceiro - Lento, vagaroso; lerdo, pachorrento. Que se nega a andar, que só se move à custa de pancada e lentamente: burro ronceiro.
guante - Gordo, obeso
fanga - Ou fanega designou em Portugal uma medida de capacidade equivalente e a quatro alqueires. Por extensão, designou também a porção de terra arável que levava quatro alqueires de semente.
sobrepeliz - Veste sacerdotal, usada em cerimônias religiosas, em geral de cor branca, de comprimento pouco acima dos joelhos, com mangas largas e folgadas.
teixo - Teixo é o nome popular de uma árvore da família das Taxáceas, originária da região mediterrânea e do sudoeste da Ásia.
panóplia - s.f. Armadura completa de um cavaleiro na Idade Média. Escudo, em que se colocam diferentes armas, e com que se adornam paredes. Apesar de eu conhecer o significado da palavra em sentido figurado, neste caso o autor usou-a para designar a armadura. Como estranhei a colocação da palavra na frase, procurei o seu significado. 

Tuesday, August 5, 2014

A Arte de Amar - Ovídio

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Foram dois os títulos que nos guiaram até esta leitura:
Passo a explicar de que forma isso aconteceu. Para ler a Odisseia,  optei por um exemplar usado, que consegui através da plataforma de troca de livros Winking Books. No exemplar que recebi, um dos anteriores donos havia assinalado diversos títulos no índice da colecção (livros de bolso Europa-América), que eu decidi aceitar enquanto ligações a outros livros. Entre os títulos que um antigo dono do exemplar de Odisseia assinalou, estava este título, A Arte de Amar de Ovídio.

Em "O Anjo Ancorado", José Cardoso Pires referiu-se a Ovídio, sem especificar qualquer título deste autor. Uma vez que tinha este livro de Ovídio na lista de livros a ler pelo Linked Books, utilizei-o,  completando assim a menção ao autor.

Antes de começar a ler este livro, a expectativa era muito elevada. O trabalho realizado até agora para este blogue revelou-me muitas surpresas, e uma delas é que adoro os clássicos gregos. Esperava pois deste livro, mais uma magnífica obra, e terminá-lo a sentir-me uma privilegiada por lhe poder ter acesso, uma sortuda por o livro ter chegado até aos nossos dias.

Este exemplar foi adquirido na Feira da Ladra em Março de 2014.

Linked synopsis...
"A arte de amar é um título que procura seduzir por sua simplicidade e inquieta por sua ingenuidade. Pode-se perguntar se é necessário, útil ou conveniente ensinar esta arte, que parece evidente, fazendo parte dessas coisas tão compartilhadas e tão comuns a todos sem que seja preciso ensiná-las. Mas Ovídio busca não ensinar o sentimento, mas a habilidade; não o amor, mas a sedução. Reconcilia os dois sexos e dá à mulher sua participação e sua iniciativa neste jogo do qual séculos de 'civilização' a excluíram.
Linked opinion...
Que profunda desilusão este livro me provocou. Pensava ter um fantástico clássico grego entre mãos, e o título tão sugestivo "A Arte de Amar", fazia-me antecipar uma magnífica leitura. Infelizmente, o título é enganoso, pois não se trata aqui de nenhuma arte, e muito menos de amor,sendo o título mais adequado a este livro "Dicas de Engate". O próprio autor nas primeiras páginas desmistifica o título, alertando que o amor de que tratará na sua obra, será o "amor leviano".

É verdade, custa a acreditar, mas é assim mesmo. Já sabia que se tratava de um livro de "não ficção", mas não esperava de todo encontrar uma espécie de "livro de auto-ajuda" da antiguidade clássica! Não sei se assim pode ser considerado, mas os conteúdos parecem mesmo o que se encontraria num "guia de técnicas de engate"
Por exemplo, existem dois capítulos sobre como se ser bem sucedido no engate. Um capítulo "para eles", que julguei muito machista, não viesse um capítulo logo a seguir "para elas". Locais, modos de proceder, de vestir, de andar, sinais...enfim. Depois existe ainda um capítulo com dicas de beleza para as senhoras,  desde conselhos, como por exemplo não deixar que o amante a veja sem maquilhagem, até receitas de "mezinhas" de beleza. Encontramos ainda outro capítulo, sobre como manter a relação, mas com a devida atenção para não "cair" no amor verdadeiro, mais direccionado aos homens.

Ler livros de auto-ajuda é para mim algo semelhante a tortura mental, e este apanhou-me totalmente desprevenida...

Tentei "passar por cima" da temática, e aproveitar ao máximo as referências à mitologia grega. O autor faz uso no seu discurso de várias personagens e lendas mitológicas, que trazem uma cor especial e remetem para o imaginário o tema em mãos. Comecei por apreciar bastante o modo como o autor jogava com o real e o mitológico,  mas rapidamente me cansei, essencialmente porque esta técnica se tornou demasiado recorrente, e porque a certa altura começou a não fazer sentido algum. Era como se eu escrevesse um livro com dicas de fitness, ou um qualquer guia de preparação física, e para ilustrar as minhas dicas, estivesse constantemente a referir-me a acontecimentos e histórias de super-heróis. Faltou pois, na minha opinião, mais sobre o dia-a-dia daqueles tempos, e isso sim, seria algo que me interessaria ler.

Resumindo: não aconselhado. De todo. Costumo chegar ao fim dos clássicos gregos, com um sentimento de incredulidade por poder nos dias de hoje aceder a essas obras, e agradecida pela experiência, mas em relação a este, devo dizer (apesar de me sentir envergonhada por isso), que o terminei a pensar que se tivesse perdido, não se teria perdido grande coisa...

Linked opinion by other bloggers...
opinião em "Leitura Escrita"
opinião de Gabriella M. Sousa em "Oceano Literário"

Linked books...
Metamorfoses - Ovídio (Obra que foi referida na contra-capa deste exemplar, na nota biográfica do autor)

Ilíada  - Homero (Esta obra foi mencionada. Para além disso, foi também referida Ílion, que significa Tróia em latim, e o próprio autor: Homero).

Fragmentos Poéticos - Safo (foram mencionados os poemas de Safo, e escolhido este título de edição portuguesa)

Elegias - Tíbulo (foram referidas as obras de Tíbulo)

Linked people...
Augusto
(mencionado no prefácio)
Anacreonte
Calímaco
Propércio
Fálaris
Crasso
Geta
Perilo
 Linked mythological figures...
Reia
(mencionada no prefácio)
Héstia/Vesta
(mencionada no prefácio)
Deméter
(mencionada no prefácio)
Latona
(mencionada no prefácio)
Automedonte
Ceres
Caribdis
Cila, Filha de Niso
Andrómaca
Podalírio
Andrómeda
Milânion
Pasifae

Busíris
Heitor
Perseu
Dáfnis
Bíblis
Tália
Linked places... 
Palatino (Roma, Itália)
Ilha de Serifos (Grécia)
Ascra (Grécia)
Monte Pélio (Grécia)
Ménalo (Grécia)
Pérgamo (Grécia)
Metímna (Grécia)
Monte Ida (Creta, Grécia)
Lácio (Itália)
Cós (Grécia)
Tirinto
Numídia (Africa)
Ilha de Dia (Grécia)
Linked mythological ship...
navio Argo
Linked ancient civilizations...
Aqueus
Partos
Odrísios
Linked flora...
Arruda
Amarílis
Mirra
 Linked food...
Chícharo
Linked looked up words...
acroceráunio - que é alto e termina em ponta (estando por isso exposto aos raios).
alvaiade - carbonato de chumbo artificial.
plectro - [música] vara de marfim com que se tocavam as cordas da lira; [música] peqeuna peça para percutor instrumentos de corda = palheta; [figurado] poesia; dom poético.
pusilâmine - aquele que é excessivamente tímido; que não tem coragem para reagir; aquele que tem frqueza de ânimo ou cobardia.