Tuesday, July 22, 2014

Engrenagem - Soeiro Pereira Gomes

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Foi a partir de um outro título do autor, que chegámos a esta leitura. Nomeadamente, foi em "Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes, que este título veio mencionado na nota biográfica do autor.

Como o anterior livro que li do autor me agradou bastante, foi com expectativa elevada que iniciei esta leitura. O exemplar a que tive acesso, é uma edição bastante antiga e que infelizmente já viu melhores dias.

Este exemplar foi obtido através do Winking Books.

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"Em 1944, Soeiro Pereira Gomes começa a escrever «Engrenagem», mas não chega a concluir o livro. A realidade que apresenta nesse romance não difere muito da dos «Esteiros». Retrata as relações económicas e humanas numa grande fábrica de ferro e aço de uma vila ribatejana, que podia muito bem ser a fábrica de cimentos de Alhandra. Os diálogos, a acção, as condições de trabalho – tudo se assemelha a um quotidiano que o autor conhecia perfeitamente."
fonte: Aventar
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Um bom livro. Interessante desde o início, esta é uma história forte e marcante, de um Portugal de outros tempos.

A história é sobre a vida de um pequeno aglomerado rural. Os seus habitantes, antes agricultores, vendem as suas terras para a construção de uma indústria metalúrgica. Todos excepto um. Esperam eles que o "progresso" que a fábrica representa, melhore as suas condições de vida. Mas se já uma vida dura e miserável antes levavam, a fábrica ainda trouxe consigo uma maior devastação. As consequências são inevitáveis, e a maior parte delas são negativas.

De um momento para outro, homens habituados a trabalhar ao ar livre com uma enxada na mão, inspiram fumos queimando roupas e pele nos enormes e perigosos fornos. Somos assim testemunhas da transição da liberdade dos campos para a ditadura de uma organização científica do trabalho, com objectivos quase impossíveis de cumprir para alguns, e em que até o acto de cuspir para as mãos era reprovável. Hábito dos campos, que agora se assumia, segundo Taylor, como perda desnecessária de tempo. Assistimos às dificuldades destes homens e suas famílias e à transformação desta terra que nunca mais voltaria a ser a mesma.

A história é uma história dura, sem floreados, tal como a vida daquelas pessoas. Um relato de fome, miséria, doenças e dificuldades. O texto é a memória viva de outros tempos, impregnado de expressões antigas e de uma oralidade já parcialmente perdida, que lhe confere um cariz especial.

Comparando com o outro livro que li do autor, devo confessar que gostei mais da história de Esteiros, embora sejam livros que se equiparam em vários aspectos. Percebi já só agora quando procurava a sinopse deste livro, que este é um livro que o autor não chegou a terminar. Talvez se deva a isso a sensação que tive de que o final ficara muito "no ar".

Apesar de não ter gostado o suficiente para o recomendar de forma genérica, julgo que os leitores que gostaram de Esteiros, encontrarão neste livro uma leitura igualmente agradável. Aos que não conhecem o autor, e que tenham ficado interessados, sugiro que leiam primeiro o livro "Esteiros". 

Linked books...
A História Começa na Suméria - Samuel Noah Kramer (publicidade da editora)

Linked national anthems...



Linked places...
Amiens (França)
Reims (França)

Vichy (França)
Metz (França)
Sedan (França)
Linked historical events...
A Implantação da República
A Tomada da Bastilha
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Cigarros Unic
Linked politic alliances...
Frente Popular (França)
Linked sayings and citations...
"Bacalhau a pataco" - frase que remonta ao advento da implantação da República, e que surgia como algo que se esperava que da república: "Vamos ter bacalhau a pataco...". Bacalhau a pataco, ou bacalhau a baixo custo, significava preços baixos, rendas baratas, e salários mais altos, que o povo associava à república.

"Andar ao alto" - significa estar desempregado.

"A instrução é o pão do espírito"

"Só um grande carácter consegue fazer coisas monótonas e desagradáveis" - Taylor

"O povo é aquele que luta, que sofre, que tomba e se levanta sempre" - Romain Rolland

Linked objects...
Alcatruzes
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Antracite
Pirite
 
Lignites
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Volfrâmio
Linked looked up words...
alfobre - viveiro onde se semeiam plantas hortenses para transplantá-las; leira ou tabuleiro de horta.
cáfila -  [figurado] bando, súcia, corja.
estreme -  muito puro, selecto, sem mistura.
estuar - estar ardente; ferver; agitar-se.
fartum - cheiro de gorduras cediças, de ranço; cheiro desagradável de certos animais.
pâmpano - [viticultura] ramo tenro de videira com folhas.
poche - voz para afagar ou chamar cãezinhos.
podoa - foice de podar.
rútilo - que tem a cor do ouro muito viva.
tanger - tocar as bestas para que andem = açoitar, incitar.
verrina - crítica áspera na imprensa ou na tribuna; censura, acusação acerva.
verrinar - fazer verrina ou crítica apaixonada.

Saturday, July 19, 2014

Como Água Para Chocolate - Laura Esquível

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Foi a autora Valentina Silva Ferreira que mencionou este título no seu livro "A Morte É Uma Serial Killer".

Um título bem conhecido, de uma autora também ela bem conhecida, mas que por algum motivo ainda não tinha "chegado" aqui ao nosso blogue. 

Apesar de a obra e a autora serem bastante populares, nunca li este livro, pelo que foi com grande entusiasmo que iniciei a sua leitura.
Este exemplar foi adquirido na Feira da Ladra, em Março deste ano.

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"Neste romance surpreendente e admirável, que revelou ao leitor português uma grande escritora mexicana, toda a trama narrativa roda em torno da cozinha e de um certo número de elementos culinários. Cada capítulo abre com uma receita fora do comum (mas ao mesmo tempo perfeitamente realizável), a pretexto e em volta da qual não apenas se juntam os comensais, mas também se “cozem” e “temperam” amores e desamores, risos e prantos, e se celebra o triunfo da alegria e da vida sobre a tristeza e a morte.
Enorme sucesso editorial, Como Água para Chocolate foi já traduzido em numeros países e adaptado ao cinema"

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Delicioso. Este é o melhor adjectivo que encontro para este livro, que superou em muito as minhas expectativas.

Confesso que no início, fiquei de pé atrás, por ter encontrado uma receita logo na primeira página, e ter verificado que a cada capítulo correspondia um mês do ano e uma receita. A leitura da receita e do processo de preparação da comida, no início, foi para mim bastante desinteressante, e nessa altura achei (mal) que este livro não era para mim.

Mas cedo percebi que os alimentos, seus ingredientes e confecção, tinham um papel insubstituível na brilhante e criativa forma encontrada pela autora para estruturar a sua história. Em primeiro lugar, é através da comida que a história é contada, constituindo-se o seu fio condutor. Até aqui, nada de novo, mas é bem mais que isso. Entre a comida que é preparada e a vida dos protagonistas os limites desaparecem, fundindo-se. Os sabores extravasam para os sentimentos, os sentimentos para a comida, e até comportamentos e acontecimentos têm origem nos alimentos, ou vão por outro lado ter impacto na sua confecção. É aqui que surge a magia, na melhor aplicação do realismo mágico que li até hoje.

Se bem que muitas vezes eu pessoalmente gostasse que a história tomasse um caminho menos "mágico" e mais "real e credível", reconheço que estou perante uma obra exemplar de um género, que não sendo o meu preferido, revela a mestria desta autora.

É um livro que dificilmente esquecerei, e que recomendo sem qualquer reserva. Em minha opinião, o êxito que a autora alcançou é bem merecido, e este livro merece chegar a todos os leitores que por algum motivo, tal como eu, o deixaram passar ao lado, aquando do seu sucesso. 

Linked opinion by other bloggers...
por Pedro em "Leituras e Opiniões"
por Cláudia de Sousa Dias em "Há Sempre um Livro...à nossa espera!"
por Fábio em "Os Livros"
por Ana C. Nunes em "Floresta de Livros"

Linked books...
O Livro das Emoções - Laura Esquível (Na "Nota Biográfica" deste livro, foram referidas várias obras da autora. De entre as mencionadas, escolhi este título por existirem exemplares disponíveis na Winking Books)

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Como Água Para Chocolate (1992)
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Valsa "Ojos de Juventud"

Estrellita de Manuel M. Ponce

Mi Querido Capitán
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Pancho Villa
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Índios Kikapú
Otomis
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Piedras Negras
(México)
San Antonio
(Texas, E.U.A.)
Eagle Pass
(Texas, E.U.A.)
Saltillo
(México)
Zacatecas
(Mexico)
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Teleras
Cecina
Tamales
Champandongo
Chilaquiles
Mole
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Atoles
Erva-Formigueira
Paca
Tatu
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Pithaya
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Comal
Molinillo
Tamis
Metate
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Traje Charro de Gala
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Ford T Coupé
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da
Hamacas
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Dia da Candelária (02 de Fevereiro)
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Zarcão
Tartarato Ácido de Potássio
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Copal
Goma-Arábica
Linked looked up words...
álgido - muito frio; afecção caracterizada por sensação de frio.
baeta - pano de lã felpudo não pisoado.
dixe - jóia de pouco valor, berloque.
estambre - fio de lã ou de seda; fio de urdidura; estame.
fardo - pacote, volume, embrulho.
furta-cor - cambiante (segundo a projecção da luz).
voluta -  [arquitectura] ornato em espiral de um capitel de coluna;  o que tem forma de espiral; [música] parte superior da cabeça dos instrumentos de arco, entalhada em forma de espiral; [zoologia] concha univalve.