Friday, January 11, 2013

A Dama das Camélias - Alexandre Dumas (filho)

Linked by...
Foi Eça de Queirós, na sua obra "O Mandarim" que nos falou neste autor: Alexandre Dumas (filho). Procurámos informação sobre o autor e sua obra, e escolhemos este título para ler, por se tratar da sua obra mais conhecida. Este exemplar foi adquirido na "Pó dos Livros" (zona vintage, como é óbvio). Lembro-me de o estar a comprar e de dizer para quem me acompanhava "Não me apetece nada ler isto...". E de facto, quando mais tarde em casa, o fui buscar à estante, foi com o pensamento: "Vamos lá despachar isto..."

Nota
Foi posteriormente mencionado na seguinte obra:

Linked opinion...
Como eu estava enganada...Deveria ser obrigada a engolir estas palavras e pensamentos ! Depois de ler o livro, sinto-me envergonhada pelo que disse e pelo que pensei...que ignorante!

Este livro vai directamente para a pequena lista dos livros favoritos deste blogue. E como todos os que lá estão, repito, todos, nem um seria por mim escolhido numa livraria para ler. É por estas pequenas surpresas, bem como por todos os fantásticos livros que este blogue tem lido ( não considerados "favoritos", mas que ficam logo atrás), que cada vez me sinto mais feliz por ter encetado esta aventura literária.

Mas falando da Dama das Camélias, e sobre a razão pela qual foi considerado um dos nossos livros favoritos. Desta vez, não sei se vos sei explicar.

A história não é algo surpreendentemente original. Até se pode dizer que é uma  vulgar (talvez) história de amor, amor impossível, que como tantas outras na história da literatura, tem um fim trágico. Não tem um final surpreendente porque o final é conhecido desde o início. É uma daquelas histórias contadas "ao contrário", ou seja, o que se vai contar é o que aconteceu e como aconteceu, para se ter chegado àquele resultado... As personagens não são diferentes ou originais...As  ideias são comuns... O autor é um moralista cristão que conta a história de uma mulher da vida, a partir de uma posição de superioridade, e com o crasso erro da piedade...  Então porque considerar este um dos livros favoritos?

Atribuo isso à magia. Sim. Não magia branca ou negra, mas magia literária. Alguns autores são autênticos magos das palavras. Outros, conseguem sê-lo uma vez na vida, com uma obra apenas. Não li ainda as outras obras deste autor, mas pelo que investiguei pode ter sido esse o caso aqui. 

Essa magia é a magia de saber contar uma história. De envolver o leitor de uma forma que lhe custa colocar o livro de lado. De ao acabar o livro, lhe dar a sensação de que foi teletransportado em 30 segundos da primeira à ultima página, e que esses 30 segundos foram maravilhosos. De o fazer acreditar, mesmo que apenas temporariamente, em coisas em que não acredita. De o fazer sonhar, e imaginar, que o mundo pode ser melhor, que as pessoas não são más, que o amor existe. De lhe fazer prender a voz na garganta quando nas primeiras horas após ter acabado de ler o livro lhe perguntarem: então, era bom? gostaste?...
Foi essa magia que o autor conseguiu fazer nesta sua leitora.
Não posso, senão, deixar de o recomendar.

Nota sobre a posição religiosa do autor:
Gostaria aqui apenas de fazer uma observação no que respeita à posição religiosa do autor, que é expressa abertamente neste livro. Ele é assumidamente cristão, e conta a história de uma "pecadora", uma "mulher da vida", uma prostituta. Mas não o faz numa perspectiva julgadora ou condenatória, como é tão característico (infelizmente) da religião católica.  Diz o autor:
"Porque é que nos havemos de mostrar mais rígidos que Cristo?"...e isto de facto pôs-me a pensar, até porque tinha ouvido há pouco tempo, parte da mensagem de natal do papa, em que ele condenava as uniões entre pessoas do mesmo sexo, porque, se bem o percebi, isso faz com que a instituição "família" seja destruida (se estou enganada corrijam-me, mas de facto, às vezes, custa-me a entender alguns raciocínios da igreja).
Porque é que a Igreja, cujo representante é o papa, adopta a posição do Deus do antigo testamento (castigador, condenador, implacável, sem misericórdia, selectivo) e não a do Deus do novo testamento, Jesus Cristo, o símbolo do amor, da compreensão, da humildade, da fraternidade, da tolerância, da humanidade, do perdão.... Não acolheria Jesus Cristo todos os fiéis? Imaginem-no aqui, hoje. Condenaria ele famílias que se amam, apenas porque os elementos que a compõem são do mesmo sexo? Apontaria ele o dedo e gritaria: Pecadores!? Não deixaria ele crianças serem amadas e criadas num bom lar, independentemente do género, cor, raça, ou credos dos seus pais?

Jesus veio à terra porque nós não estávamos a perceber bem o que Deus queria de nós, certo? A meu ver, e segundo este último discurso do papa, ainda não estamos.

Ainda há bem poucos anos a luta era contra as leis que permitiam o divórcio, agora é contra as leis que  permitem a união entre pessoas do mesmo sexo e a adopção.... E no caminho, vão perdendo fiéis, pessoas de fé, que acreditam em Deus, mas que não encontram nestas leis religiosas criadas pelos homens (apenas pela sua própria interpretação de um texto, sobre o qual muito se poderia falar), lugar para a sua fé. Numa sociedade, em que os valores essenciais, do ser, vão perdendo terreno a olhos vistos, para os valores do ter.
Acho isto desolador e incompreensível.

Linked people...

Francois Elleviou
Gilbert Duprez

Linked books...

Marion De Lorme - Vitor Hugo

Fréderic et Bernerette - Alfred de Musset

Manon Lescaut - Antoine Francois Prévost

Fernanda - Alexandre Dumas

Am Rauchen - Alphonse Karr 

Écoglas - Virgílio (foi mencionado o "pastor de Virgílio" a "saborear os ócios que um Deus concedia", pelo que julgamos que Dumas pode estar a referir-se a estes poemas de Virgílio)

Regina e Graziela - Alphonse de Lamartine (Dumas referiu-se aos "versos de Lamartine", sem especificar nenhum título. Regina e Graziela são duas novelas do autor, que decidimos escolher para representar a menção de Dumas deste autor, por termos encontrado uma edição em português na Wook a um excelente preço)

La Question D'Argent - Alexandre Dumas (filho) - da nota biográfica do autor, escolhemos este título.

Linked music...

Convite à Valsa de Weber

Linked places...

Spa (Liège, Bélgica)
Bougival (França)
A imagem: "Boats at Bougival" de Alfred Sisley, 1873.

Linked "looked up" words...

alacridade - vivacidade alegre.
cloaca - lugar onde se deitam as dejecções (esgoto, latrina); figurado: lugar imundo; zoologia: parte dos intestinos das aves e répteis.
bandós - cada uma das duas porções de cabelo que, na cabeça, se apartam por meio de risca e se enrolam ou assentam sobre os temporais.
escrínio - escrivaninha; pequeno armário ou cofre.
círio - vela grossa de cera

No comments:

Post a Comment