Sunday, January 27, 2013

Rei Édipo - Sófocles

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Foram dois os autores que mencionaram esta tragédia grega de Sófocles "Rei Edipo":
As experiências de leitura deste blog no que respeita a peças teatrais, têm sido excepcionais. Até agora, Molière e Shakespeare foram bastante apreciados, e é com grande expectativa que recuo agora à Grécia antiga para ler Sófocles. Inutilmente, pedi um exemplar deste livro na Winking Books, desconhecendo que tinha um igual na estante...Entretanto já troquei o exemplar pedido, e li o exemplar que estava "meio/totalmente" esquecido na estante...Só eu...

Nota
Posteriormente, este título foi também mencionado em:
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Que tragédia magnífica esta com que Sófocles nos presenteia. Que privilégio ter chegado aos nossos tempos, e que burra me sinto por ter deixado este livro na estante, ignorado durante tanto tempo. Esta peça é simplesmente brutal, no verdadeiro sentido na palavra. Dura, sem contemplações... e magnífica.

Confesso que foi o "complexo de Édipo" de Freud, que me afastou desta leitura. Se como eu, não são grandes adeptos das teorias Freudianas, desenganem-se se pensam que a peça "Rei Édipo" trata sobre um homem (Édipo) que deseja incestuosamente sua mãe e que odeia seu pai. Nada disso. É claro que esse assunto está presente, pois Freud "bebeu" desta tragédia para a construção do famoso "complexo", mas não esperem encontrá-lo no mesmo formato.

A meu ver, este texto trata essencialmente da inevitabilidade do destino, figurado no poder do "oráculo" da Grécia antiga. Apesar de não ser crente na predestinação, mas não há dúvida de que o tema "destino" foi explorado aqui de uma forma magnífica e resultou numa tragédia recheada de emoções.

Esta é uma leitura que só posso aconselhar.

Linked books...

Não existem, como é natural, menções directas no texto a outras obras. No entanto, os seguintes títulos foram considerados, uma vez que fazem parte desta mesma edição, que agrega três títulos do mesmo autor:
Antígona - Sófocles
Ajax - Sófocles

Da nota biográfica do livro foi escolhido o título:

Filoctetes - Sófocles (por se ter encontrado uma edição na Wook)

Da publicidade da editora (títulos publicados na mesma colecção) foi escolhido o título:
O Jogador - Fiódor Dostoievski (por existirem exemplares novos disponíveis na Winking Books) 

Linked mythological figures...
Ares
Anfitrite
Dice
Linked places

Ilha de Delos
Oráculo de Delfos
Linked looked up words...

corifeu - chefe ou regente de coros; chefe de seita (figurado); personagem principal de um partido, sociedade, etc.
vergônteas - vara tenra; renovo; rama de árvore; haste; (figurado) prole; descendente em tenra idade.
pítico - diz-se dos jogos que, de 4 em 4 anos, se celebravam em Delfos, em honra de Apolo Pitónico.
brônzeo - do bronze, bronzeado; (figurado)  duro, inflexível.
alvedrio - resolução e determinação da vontade. = ARBÍTRIO

Friday, January 11, 2013

A Dama das Camélias - Alexandre Dumas (filho)

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Foi Eça de Queirós, na sua obra "O Mandarim" que nos falou neste autor: Alexandre Dumas (filho). Procurámos informação sobre o autor e sua obra, e escolhemos este título para ler, por se tratar da sua obra mais conhecida. Este exemplar foi adquirido na "Pó dos Livros" (zona vintage, como é óbvio). Lembro-me de o estar a comprar e de dizer para quem me acompanhava "Não me apetece nada ler isto...". E de facto, quando mais tarde em casa, o fui buscar à estante, foi com o pensamento: "Vamos lá despachar isto..."

Nota
Foi posteriormente mencionado na seguinte obra:

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Como eu estava enganada...Deveria ser obrigada a engolir estas palavras e pensamentos ! Depois de ler o livro, sinto-me envergonhada pelo que disse e pelo que pensei...que ignorante!

Este livro vai directamente para a pequena lista dos livros favoritos deste blogue. E como todos os que lá estão, repito, todos, nem um seria por mim escolhido numa livraria para ler. É por estas pequenas surpresas, bem como por todos os fantásticos livros que este blogue tem lido ( não considerados "favoritos", mas que ficam logo atrás), que cada vez me sinto mais feliz por ter encetado esta aventura literária.

Mas falando da Dama das Camélias, e sobre a razão pela qual foi considerado um dos nossos livros favoritos. Desta vez, não sei se vos sei explicar.

A história não é algo surpreendentemente original. Até se pode dizer que é uma  vulgar (talvez) história de amor, amor impossível, que como tantas outras na história da literatura, tem um fim trágico. Não tem um final surpreendente porque o final é conhecido desde o início. É uma daquelas histórias contadas "ao contrário", ou seja, o que se vai contar é o que aconteceu e como aconteceu, para se ter chegado àquele resultado... As personagens não são diferentes ou originais...As  ideias são comuns... O autor é um moralista cristão que conta a história de uma mulher da vida, a partir de uma posição de superioridade, e com o crasso erro da piedade...  Então porque considerar este um dos livros favoritos?

Atribuo isso à magia. Sim. Não magia branca ou negra, mas magia literária. Alguns autores são autênticos magos das palavras. Outros, conseguem sê-lo uma vez na vida, com uma obra apenas. Não li ainda as outras obras deste autor, mas pelo que investiguei pode ter sido esse o caso aqui. 

Essa magia é a magia de saber contar uma história. De envolver o leitor de uma forma que lhe custa colocar o livro de lado. De ao acabar o livro, lhe dar a sensação de que foi teletransportado em 30 segundos da primeira à ultima página, e que esses 30 segundos foram maravilhosos. De o fazer acreditar, mesmo que apenas temporariamente, em coisas em que não acredita. De o fazer sonhar, e imaginar, que o mundo pode ser melhor, que as pessoas não são más, que o amor existe. De lhe fazer prender a voz na garganta quando nas primeiras horas após ter acabado de ler o livro lhe perguntarem: então, era bom? gostaste?...
Foi essa magia que o autor conseguiu fazer nesta sua leitora.
Não posso, senão, deixar de o recomendar.

Nota sobre a posição religiosa do autor:
Gostaria aqui apenas de fazer uma observação no que respeita à posição religiosa do autor, que é expressa abertamente neste livro. Ele é assumidamente cristão, e conta a história de uma "pecadora", uma "mulher da vida", uma prostituta. Mas não o faz numa perspectiva julgadora ou condenatória, como é tão característico (infelizmente) da religião católica.  Diz o autor:
"Porque é que nos havemos de mostrar mais rígidos que Cristo?"...e isto de facto pôs-me a pensar, até porque tinha ouvido há pouco tempo, parte da mensagem de natal do papa, em que ele condenava as uniões entre pessoas do mesmo sexo, porque, se bem o percebi, isso faz com que a instituição "família" seja destruida (se estou enganada corrijam-me, mas de facto, às vezes, custa-me a entender alguns raciocínios da igreja).
Porque é que a Igreja, cujo representante é o papa, adopta a posição do Deus do antigo testamento (castigador, condenador, implacável, sem misericórdia, selectivo) e não a do Deus do novo testamento, Jesus Cristo, o símbolo do amor, da compreensão, da humildade, da fraternidade, da tolerância, da humanidade, do perdão.... Não acolheria Jesus Cristo todos os fiéis? Imaginem-no aqui, hoje. Condenaria ele famílias que se amam, apenas porque os elementos que a compõem são do mesmo sexo? Apontaria ele o dedo e gritaria: Pecadores!? Não deixaria ele crianças serem amadas e criadas num bom lar, independentemente do género, cor, raça, ou credos dos seus pais?

Jesus veio à terra porque nós não estávamos a perceber bem o que Deus queria de nós, certo? A meu ver, e segundo este último discurso do papa, ainda não estamos.

Ainda há bem poucos anos a luta era contra as leis que permitiam o divórcio, agora é contra as leis que  permitem a união entre pessoas do mesmo sexo e a adopção.... E no caminho, vão perdendo fiéis, pessoas de fé, que acreditam em Deus, mas que não encontram nestas leis religiosas criadas pelos homens (apenas pela sua própria interpretação de um texto, sobre o qual muito se poderia falar), lugar para a sua fé. Numa sociedade, em que os valores essenciais, do ser, vão perdendo terreno a olhos vistos, para os valores do ter.
Acho isto desolador e incompreensível.

Linked people...

Francois Elleviou
Gilbert Duprez

Linked books...

Marion De Lorme - Vitor Hugo

Fréderic et Bernerette - Alfred de Musset


Fernanda - Alexandre Dumas

Am Rauchen - Alphonse Karr 

Écoglas - Virgílio (foi mencionado o "pastor de Virgílio" a "saborear os ócios que um Deus concedia", pelo que julgamos que Dumas pode estar a referir-se a estes poemas de Virgílio)

Regina e Graziela - Alphonse de Lamartine (Dumas referiu-se aos "versos de Lamartine", sem especificar nenhum título. Regina e Graziela são duas novelas do autor, que decidimos escolher para representar a menção de Dumas deste autor, por termos encontrado uma edição em português na Wook a um excelente preço)

La Question D'Argent - Alexandre Dumas (filho) - da nota biográfica do autor, escolhemos este título.

Linked places...

Spa (Liège, Bélgica)
Bougival (França)
A imagem: "Boats at Bougival" de Alfred Sisley, 1873.

Linked "looked up" words...

alacridade - vivacidade alegre.
cloaca - lugar onde se deitam as dejecções (esgoto, latrina); figurado: lugar imundo; zoologia: parte dos intestinos das aves e répteis.
bandós - cada uma das duas porções de cabelo que, na cabeça, se apartam por meio de risca e se enrolam ou assentam sobre os temporais.
escrínio - escrivaninha; pequeno armário ou cofre.
círio - vela grossa de cera

Tuesday, January 8, 2013

Orpheus Emerged - Jack Kerouac

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It was João Moura, a young and talented portuguese poet that led us the way to Jack Kerouac. João, in his beautifull book of poetry "Nos Destroços de Um Naufrágio" mentioned his name, and we here at Linked Books started looking for a Jack Kerouac´s book to read. Fortunately, we found this english edition at Winking Books.

This blog started out to be written only in portuguese. However, in its first year of existence (2012) we found that several times our links pointed out to english books, or to books that didn´t have a portuguese edition. As an aletrnative to portuguese editions, we started to read the english books, but continued to make our reviews in portuguese. We decided to change that from this book forward, as we thing it makes more sense to write our posts in the books primary language. This first post in 2013, will be our first post written in english too.

Linked opinion...

This was an unkowned author for me. I looked him up on the Internet and found out some really interesting things about his life, and about his role in the so called "Beats" or "Beat Generation". I also read a little about this book, before reading it, and already knew that it was one of his early books, that didn´t even get published before his and his wife´s death. Many fans see this book as a poor work, as compared to his primary and most important work.

However, for me, this was my first Kerouac´s book, and after reading it, I became really interested in his work, and eager to read more of his books.

I found it to be a quite interesting book, but, inspite of haven´t read anything else of this author, I can understand Kerouac´s fans, when they talk about it´s poor literary qualities. For me, the story is fairly well built, but seems to fail short on its global goal. I think maybe Kerouac failed passing out his message, first because his message was a bit overwhelming and complex one, and second because at his young age, he hadn´t yet developed the necessary literary tools, to do it in a proper way. If it had stayed just as a novela talking about the life of young men and their friends at college, I think it would be best. Simpler and much more modest, but best.

That was the bit I liked most. The characters. Well built, and interesting. Every one of them trying to find his way through life and it´s meaning. The search for knowledge, or just the giving it up to vice, and to the day to day survivance.

I think that anyone who really likes to read, and is interested in the history of american literature should read this book. But if you are looking for a really good book to read, wtih a great story, I think you better look for another book, as you will not like this one.

Linked people...

Allen Ginsberg (1926-1997)
William S. Burroughs (1914-1997)
Lucien Carr (1925-2005)
Ed Dorn (1929-1999)
Charles Olson (1910-1970)

Linked books...

Charterhouse of Parma - Stendhal (Kerouac mentioned a novela by Stendhal, but he didnt´t say which one, so I chose this one, because it was available at Winking Books)

The Idiot - Fiódor M. Dostoevsky

Ballad of Reading Gaol - Oscar Wilde (Kerouac mentioned Oscar Wilde´s verse from the Ballad of the Reading Gaol: "Killing the one you love, with sword or kiss...")

On the Nature of Things -  Titus Lucretius Carus

Thus Spoke Zarathustra - Friedrich Nietzsche

Ulysses - James Joyce

The Oxford Book of English Verse - Sir A. Quiller-Couch

Journal of Albion Moonlight - Kenneth Patchen

Four Quartets - T.S. Eliot

Ash Wednesday - T.S. Eliot

The Flowers of Evil - Baudelaire (only Baudelaire was mentioned, and not this particular work. I chose this Baudelaire´s title for it´s already on our "to-read" list of books)

As Jack Kerouac is part of the Beat movement, the publisher dedicated some pages of this book to tell us about the history of the "beats". In that history, three essential "Beat movement" books were mentioned:
  • Howl - Allen Ginsberg
  • On the Road - Jack Kerouac
  • Naked Lunch - William Burroughs
Linked literary movement...
The Beat Generation was a group of American post-World War II writers who came to prominence in the 1950s, as well as the cultural phenomena that they both documented and inspired. Central elements of "Beat" culture included rejection of received standards, innovations in style, experimentation with drugs, alternative sexualities, an interest in Eastern religion, a rejection of materialism, and explicit portrayals of the human condition.

The original "Beat Generation" writers met in New York. Later, in the mid-1950s, the central figures  ended up together in San Francisco where they met and became friends with figures associated with the San Francisco Renaissance.
In the 1960s, elements of the expanding Beat movement were incorporated into the hippie counterculture.
Linked music...

The book only mentioned "Bach´s organ fugue"...I took the liberty to choose this video.
 

Linked art...

 Degas "Interior"

Linked food...

Lobster Thermidor is a French dish consisting of a creamy mixture of cooked lobster meat, egg yolks, and cognac or brandy, stuffed into a lobster shell. It can also be served with an oven-browned cheese crust, typically Gruyère. The sauce must contain mustard (typically powdered mustard).
Lobster Thermidor was created in 1894 by Marie's, a Paris restaurant near the theatre Comédie Française, to honour the opening of the play Thermidor by Victorien Sardou. The play took its name from a summer month in the French Republican Calendar, during which the Thermidorian Reaction occurred, overthrowing Robespierre and ending the Reign of Terror. Due to expensive and extensive preparation involved, Lobster Thermidor is usually considered a recipe primarily for special occasions. Lobster Thermidor is related to Lobster Newberg, created some 20 years earlier in the United States.


Linked looked up words...

poignant - emotionally moving, relevant, pertinent.
loafer - slip-on-shoe, idle person (informal)
gander - male goose, look (informal)
fledgling - young bird, figurative: inexperienced or new.
ennui - boredom
balderdash - nonsense (informal)
mien - manner, behaviour, appeareance (literary,arcaic)