Friday, April 27, 2012

A Ilha do Tesouro - Robert Louis Stevenson

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O meu reencontro com este livro deve-se à sua referência em  O Deus das Moscas de William Golding. Devo dizer que num primeiro momento, não encarei com entusiasmo a perspectiva de reler este livro da minha infância, por julgar que não me iria trazer nada de novo. Já em criança o havia relido (nas versões infantis), e tinha visto filmes com este título, pelo que julguei (erradamente) que me iria aborrecer com esta leitura. Esquecia-me no entanto de um pormenor muito importante: nunca tinha lido a obra completa, original, sem as necessárias adaptações para os mais novos.


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Considero que esta é uma história para todas as idades. Se é um facto que é mais apropriado aos mais novos, julgo que os mais velhos, como eu, poderão desfrutar de uma boa surpresa se o decidirem revisitar, como me aconteceu. Não sou de reler livros. Apenas na minha infância reli vários livros, havendo um que ficou "gasto" de tantas vezes que foi lido. Desse li todas as versões a que consegui deitar mão. Foi ele o Robinsoe Crusoe de Daniel Defoe. A Ilha do Tesouro pertence também a essa fase da minha vida em que as temáticas mar, ilhas desertas, náufragos, aventuras, piratas, etc. me faziam sonhar. E estando esta aventura tão bem escrita, depressa me deixei levar, quase para esse tempo de infância, em que tudo era possível. Não é de todo por acaso que um livro de aventuras escrito no século XIX, continue a fazer parte das leituras de referência para os mais novos. Para eles, aconselho vivamente este livro. Para os mais velhos, que nunca o tenham lido, é só deixar a nossa imaginação ser "pequenina" outra vez .

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A Ilha do Tesouro é um dos clássicos da literatura infanto-juvenil escrito por Robert Louis Stevenson em 1883, livro sobre piratas e tesouros enterrados. 

Nele, um garoto chamado Jim Hawkins cujos pais são proprietários e moradores de uma pequena pensão (mais conhecida como Hospedaria Almirante Benbow), numa cidade litorânea da Inglaterra, vive diversas aventuras após a chegada de um velho lobo do mar. Diversos fatos vão acontecendo, até que o jovem menino (e narrador da história) se vê em um navio indo em busca de um tesouro. Daí para frente é muita ação e aventura.
Nesta obra, o autor também instituiu um novo estilo de escrita, traçado pela característica da ação contínua, que também serviu de intuito para estimular a leitura ao público-alvo.

Como curiosidade, foi nesse livro que pela primeira vez apareceu um mapa do tesouro, onde a arca cheia de ouro enterrada estava marcada com um grande X, hoje tão comum nesse tipo de história. E também foi neste livro que o conhecido estereótipo de pirata - aquele com perna-de-pau e um papagaio no ombro - apareceu e se tornou tão popular.
From: www.wikipedia.org

A Ilha do Tesouro” é um dos livros de viagens e mistérios em que a aventura começa na primeira frase.

“O fidalgo Sr. Trelawney, o Dr. Livesey e os outros cavalheiros pediram-me que registasse, preto no branco, todos os pormenores a respeito da Ilha do Tesouro, tudo de cabo a rabo, omitindo, porém, os elementos relativos à situação geográfica da ilha, porque permanece lá, ainda, uma parte do tesouro que ficou por desenterrar.”

E para muitos autores esta obra de Stevenson continua a ser a grande referência.

“A História mais bem contada que conheço.”
Alvaro Mutis

“Sou da geração que ele fez sonhar e penso que Corto Maltese se dirige aos que leram Stevenson.”
Hugo Pratt
From: www.almedina.net

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A música que é mencionada no texto é "Lilly Bolero" (a primeira das duas músicas tocdas neste vídeo)


"Fifteen Men and a Bottle of Rum"


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A lista de adaptações ao cinema, séries, filmes para tv, etc... é bastante extensa... o que é natural, não se tratasse esta aventura de um clássico. Resolvi colocar aqui o trailer do filme que eu me lembro de ter visto (de 1950), um excerto de outra adaptação que também vi (de 1990) e o trailer da versão mais recente, de 2012 (filme para tv).





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 Costa do Malabar (India)



"Tortugas Secas" (Dry Tortugas - Florida)



Madagáscar

Suriname
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Não podia faltar o tesouro numa aventura de piratas...

"Georges..."
"Luises..."
"Guinéus..."
"Dobrões..."

"Moidores..."
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Edward Teach ("Barba negra") 1680 - 1718
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Coracle

Lugre



lugre -  embarcação de três mastros sem vergas.

traquete - a maior vela do mastro da proa.

narceja  - ave pernalta dos campos.



amura - cabo que se prende ao punho inferior de uma vela para a segurar do lado donde sopra o vento; quadra da proa.



virar de querenatombar o navio para poder trabalhar no seu costado.





Narceja


orçar - aproximar a proa da embarcação da linha do vento (o mesmo que bolinar).

enxárcia - conjunto de todos os cabos de um navio que seguram os mastros e mastaréus.

mezena - mastro mais próximo de ré do navio; vela desse mastro.

gurupés - mastro oblíquo situado na proa dos navios.

estai - cada um dos cabos que servem para aguentar a mastreação do navio no sentido de avante. 

gata - gancho de que se dependura um moutão.

moutão - peça de madeira ou de metal, suspensa de alto, e pela qual desliza o cabo ou corrente que levanta grandes pesos.

sirga -  cabo com que se puxa uma embarcação ao longo da margem.

Tuesday, April 24, 2012

O Espião Que Saíu Do Frio - John Le Carré


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Foi no livro Coca-Cola Killer, de António Victorino D´Almeida que surgiu, a título de trocadilho, a obra de um personagem denominada "O Frio Que Veio Do Espião" que me levou a incluir a referência a este título, o real. Sendo este um livro de espionagem, género esse que nunca foi do meu interesse, enquadrava-se perfeitamente no desafio que me propus nas "viagens" entre referências que este blogue descreve. Levou-me assim a um livro que provavelmente nunca teria escolhido para ler, e que se revelou, não uma surpresa, mas uma boa história e uma leitura agradável.

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O tema da espionagem, como já referi, nunca foi do meu interesse, quer se tratasse de livros, filmes ou séries televisivas, a não ser o "Olho Vivo", que muitas e boas recordações me deixou da minha infância e adolescência, mas isso é "outra coisa". Esta obra nunca seria assim, alvo da minha escolha. A partir do momento em que me apercebi de que género se tratava, imaginei traições, mentiras, (des)lealdades, assassinatos em catadupa, reviravoltas mirabolantes, um enredo difícil de iamginar ou enquadrar na realidade, e um sem número de personagens com comportamentos criminosos sob o lema dos meios justificarem os fins. E foi isso mesmo que encontrei. Os eternos "bons" e "maus", mas em que os bons são exactamente iguais aos maus, diferindo apenas na ideologia ou política que legitima os comportamentos de cada uma das partes. Mas não será sempre assim? O quem me fica desta história, é a possibilidade da existência de amor, mesmo em contextos totalmente contrários a que o mesmo exista, em ambiente de desconfiança constante de tudo e de todos, e de perigo iminente a quem se possa permitir algum tipo de humanidade. O amor, ou "pseudo" amor desta história permite que surja um pouco de lealdade, numa história de completa mentira, ainda que essa lealdade seja trágica. Mas tragédia e amor sempre andaram de mão dadas nos grandes clássicos. E este é também ele um clássico. Deste género é certo, mas é. Daí que para quem aprecie o género, aconselho a sua leitura. Quanto aos restantes, esperem um boa história, de leitura fácil e rápida, e quem sabe, a abertura a novos gostos em termos de géneros literários. Para mim ainda não foi desta que fiquei "fã", mas agradou-me ler este livro. Alguma coisa sempre fica...

Linked movie...

Este livro foi adaptado ao cinema em 1965, e realizado por Martin Ritt

Linked Song...



Apenas uma canção foi referida. trata-se de "Ilkley Moor Barht'at", uma canção popular que representa quase um hino do Yorkhsire.


Linked book...
Existe apenas uma referência a livros, e é feita no prefácio pelo autor. Fala-nos aí, em jeito um pouco depreciativo, da obra que se seguiu a esta, que decidi incluir aqui:

Linked drink...

Neste livro, apesar de se beber imenso,  há apenas referência a um bebida, que para mim era desconhecida. Chama-se Pink Gin. Encontrei aqui um pequeno vídeo que mostra como fazer este cocktail.



Linked cars...
Opel Rekord 1958



Algumas referências a carros despertaram-me a curiosidade. Uma delas foi ao Opel Rekord, que tive dificuldade em lembrar qual seria. Após procura de informação sobre este carro, verifiquei que foram comercializados vários modelos do Opel Rekord, entre 1953 e 1986. Na foto ao lado temos o modelo de 1958. Para saber mais sobre a história do Opel Rekord, clique aqui.



DKW (AU1000S, seguido de perto por um F91)

A referência a esta marca de automóveis, a DKW, foi uma completa novidade para mim. Nunca tinha ouvido falar de tal coisa. Trata-se no entanto de uma marca histórica de automóveis e motocicletas, associada em todo o mundo a motores com ciclos de dois tempos. Encontrei muitas fotos de carros e motos, com modelos fantásticos, e foi difícil escolher uma para partilhar. A história desta marca alemã é também bastante interessante.




Este foi outro dos veículos que despertou a minha curiosidade. O Mercedes 180.
Linked people...

Não foram muitas as personalidades que este livro referiu. De notar que Graham Greene não é uma referência no texto. Resolvi incluí-lo por causa da sua frase que figura na capa do livro. Diz ele sobre esta obra : "A melhor história de personagem que alguma vez li.". Sendo-me muito familiar o nome do autor, mas sem conseguir "arrumá-lo" em termos de género literário ou títulos de livros, ficou-me a curiosidade de procurar mais informação sobre este autor.

Graham Greene (1904- 1991)

Arthur Koestler (1905 - 1983)

Nikita Khrushchev (1894 - 1971)

Honoré de Balzac (1799 - 1850)


Linked newspapers...

Nunca faltam jornais em histórias de espiões...aqui ficam alguns dos que foram mencionados no texto, a título de curiosidade.


The Observer
Continental Daily Mail
Le Monde
Le Figaro
Neue Zurcher Zeitung
Die Welt
Evening Standard
Linked dance...
 Morris Dancing, uma antiga dança foclórica inglesa em que os figurantes representavam personagens lendárias.

Linked words...

bambúrrio - Carambola que se faz por onde não era jogada. Acaso feliz.
assestar - Chegar (a boca da peça) para a canhoneira. Apontar.

VoPos - A Deutsche Volkspolizei (DV, "Polícia Popular Alemã") ou apenas Volkspolizei, foi um corpo de polícia nacional da República Democrática Alemã. Formou-se logo após o final da Segunda Guerra Mundial na Europa e aboliu-se com a Reunificação da Alemanha. Os seus agentes recebiam o nome de VoPos. Entre outras tarefas, os VoPos foram encarregados de vigiar zelosamente e disparar a matar quem pretendesse atravessar o Muro de Berlim ou a restante fronteira interna alemã para fugir.  



arrostar - Fazer face a, encarar sem medo. Abalançar-se, atrever-se. Afrontar. Defrontar, afrontar, expor.
ornear - Zurrar, ornejar.
creosoto - Líquido cáustico e anti-séptico extraído do alcatrão e próprio para conservar substâncias orgânicas, nomeadamente a carne.
presciente - Que tem presciência, que prevê o futuro. Previdente.


casamata - Bateria abobadada. Casa à prova de bomba para explosivos ou para habitação de governador de um castelo. Abrigo subterrâneo fortificado, geralmente abobadado. = BÚNQUER. Bateria que defende um fosso.

Thursday, April 19, 2012

Última Saída Para Brooklyn - Hubert Selby Jr.

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Foi em Wilt de Tom Sharpe  que este livro foi mencionado. Julgava desconhecer de todo o autor e este título, contudo no decorrer da sua leitura, pareceu-me reconhecer remotamente alguns dos personagens e algumas das histórias nele contidas. Foi uma sensação um pouco estranha já que não conseguia lembrar-me exactamente de onde. Só bastante mais tarde relembrei que havia visto o filme, não todo, mas partes do mesmo, já há muitos anos atrás. Apesar desta sensação de "déjá vu" em algumas partes do livro, fiquei muito agradada com esta referência, uma vez que era isto mesmo que pretendia, quando comecei esta "viagem" pelos livros. Isto porque duvido que fosse ler este livro, não fora a referência encontrada, o que sem dúvida seria uma perda para mim.

Linked opinion... 

Chegada a esta referência e pensando pouco saber sobre o livro e o seu autor, foi com enorme surpresa, como já atrás expliquei, que fui reconhecendo as histórias e os personagens. Contudo, como nem tudo me era conhecido o livro ainda me reservou grandes surpresas. Não diria "boas" somente apenas porque as histórias não são bonitas, mas sim cruas, reais, e "feias" como pode ser feia a realidade. E as "realidades" deste livro são realmente duras, e os temas são sem dúvida fortes. A marginalidade, pobreza, prostituição, crime, sexo, violência doméstica, homossexualidade, travestismo, greves, são alguns dos temas retratados pelo autor. O livro está dividido em seis partes independentes, contudo o espaço físico no qual os personagens se movimentam é partilhado, e também alguns dos personagens se intersectam. As histórias remontam à década de 50, nos bairros sociais de Brooklyn, mas é muito fácil (infelizmente) encontrar paralelismos para os dias de hoje. Talvez as histórias já não nos choquem hoje como chocaram na altura da sua publicação (o livro chegou a ser proibido, por ordem de tribunal), uma vez que a violência, a pobreza e os dramas humanos nos entram pela "casa" dentro a quase toda a hora, com uma infeliz e inevitável dessensibilização para estas matérias. Não há qualquer dúvida no entanto que me parece impossível ficar-se indiferente ao que se leu. 
A forma de escrita do autor requer ao leitor alguma habituação. Primeiro porque a oralidade e a escrita se fundem, já que o autor transcreve a fonética da oralidade para o papel. É reforçada a acção desta forma, e somos levados instantaneamente ao universo linguístico dos personagens. Também algo que requer habituação são as ausências de pausas, por exemplo quando um personagem fala, ou entre acções. Os ritmos de leitura e da acção, têm uma cadência única já que não há pausa e todas as acções, falas, etc, estão ligadas por "e". Quando esperávamos um ponto final, não o temos, e temos mais um "e", que se sucedem em catadupa, até ao final esperado do parágrafo. Após o leitor se habituar, deixa de pensar nisso, e só reconhece que tudo se passa muito depressa dentro da história, tal como acontece na realidade.
Em suma, este foi um livro do qual gostei particularmente, e fiquei agradecida a "Tom Sharpe" por mo ter dado a conhecer.

Linked review... 
  
«Última Saída para Brooklyn (1964), um dos expoentes míticos da literatura norte-americana contemporânea, é uma obra que se destaca pela originalidade narrativa e enquanto testemunho impiedoso da vida na zona mais feroz da selva nova-iorquina.

Com personagens inesquecíveis (marginais, travestis, prostitutas, famílias operárias), intensa justaposição de descrições, pensamentos e diálogos, extraordinária capacidade de captação da gíria e da oralidade características dos vários grupos sociais, o aparato de violência e crueza destas páginas são consequência natural de uma sociedade sem amor.

Ao longo de seis histórias, que constituem um políptico em movimento e cujo denominador comum é o bairro de Brooklyn, Hubert Selby Jr. escruta implacavelmente essa violência, girando-a em torno da sexualidade, das drogas e da brutalidade humana, em geral.

"Amado e odiado (a ponto de ter sido proibido em vários Estados americanos e na Grã-Bretanha - o seu caso acabará por ser determinante na evolução da lei inglesa a respeito da chamada literatura obscena), tornou-se uma obra mítica que a passagem do tempo transformou num clássico." - Ana Cristina Leonardo, Expresso

Fonte: www.bbde.org 

Linked movie... 

Este livro foi adaptado ao cinema em 1989 por Uli Edel, com guião do próprio autor.

 
"Ultima Saída Para Brooklyn" (trailer)


Linked poem...

Durante a narrativa do livro é lido um poema, "O Corvo" de Edgar Allan Poe. Gostaria de partilhá-lo aqui, na tradução de Fernando Pessoa. Como é um pouco grande para este post, deixo o link, que permite também ler a versão original: http://www2.dem.ist.utl.pt/~jsantos/Literature/O_Corvo.html.


Linked songs...

 A canção mencionada foi "Un bel di, Vedremo", da Madame Butterfly de Puccini.. Tomei a liberdade de escolher esta versão/interpretação para partilhar.


Linked People...
Illinois Jacquet (1922-2004) - mencionado no texto. A música foi por mim escolhida.


Este músico, Charlie "Bird" Parker foi mencionado algumas vezes durante o texto. Escolhi esta música para partilhar aqui. Existe também um filme de Clint  Eastwood sobre este a vida deste músico, interpretado no filme por Forest Whitaker.



Também mencionado no texto vem Lefty Frizzell (1928 - 1975) do qual escolhi esta música para partilhar.

 Dinah Washington (1924 - 1963)
(Tomei a liberdade de escolher a música. Apenas a intérprete é mencionada no texto.)


Linked words...

baia - tapume ou gradeamento usado para isolar ou separar um espaço.
adejar - bater as asas; esvoaçar; mover.
requebros  -  movimento lascivo ou lânguido; inflexão ou tom amoroso; expressão amorosa do olhar; galanteio, dito apaixonado; trinado.

 

Wednesday, April 18, 2012

A Alternativa Wilt - Tom Sharpe

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Apesar de não constituir uma referência directa, foi Wilt (1º livro desta "saga") que me levou a este livro. Chegou-me às mãos como oferta de aniversário, e claro está, por saberem que eu andava entusiasmada na minha "descoberta" deste autor. E constituiu sem dúvida uma excelente oferta, já que a continuação das aventuras de Wilt não me desiludiram, e antes pelo contrário, despertaram ainda mais a minha curiosidade sobre o que se irá passar em seguida na "vida" deste Wilt. Não será pois de estranhar que mais livros de Tom Sharpe surjam neste blogue.

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Mais uma vez Tom Sharpe brinda-nos com uma divertida aventura do caricato Wilt, personagem este que já me é familiar e querido, tal como a sua senhora, Mrs. Eva Wilt. Não esqueçamos também o "desgraçado" inspector Flint, pelo qual sinto pena genuína, por lhe "cair nas mãos" todas as mirabolantes loucuras desta família. Acresce ao enredo desta vez, a prole deste casal, nada mais nada menos que quatro gémeas, herdeiras da genética ímpar do casal Wilt, bem como muitas outras personagens, com personalidades igualmente "destrambelhadas". Uma vez que este livro é o segundo da "saga" Wilt, julgo ser conveniente ler primeiro o  Wilt. De leitura muito rápida e agradável, este é um livro de puro entretenimento, que aconselho a quem aprecie o género (comédia).

Linked review...

Neste segundo livro sobre as aventuras e desventuras de Henry Wilt, o nosso herói, agora chefe do departamento de Estudos de Formação Geral do Instituto de Letras e Tecnologia de Fenland, tem de enfrentar as fantasias de políticos fanáticos e burocratas reaccionários. Além, claro, dos entusiasmos da mulher, Eva, por todas as Alternativas Orgânicas e da insistência das quadrigémeas em olhar para tudo com uma inabalável falta de sentimentalismo.
Os problemas de Wilt são agudizados pela natureza - mais precisamente por uma roseira -, pela fugaz paixão por uma capitosa estudante estrangeira e pela hostilidade dos serviços médicos, que recusam acudir às suas necessidades mais urgentes. Envolvido involuntariamente numa acção terrorista, Wilt é forçado a lutar pela liberdade, ameaçada tanto pelo terrorismo como pelos métodos da polícia antiterrorista. Recorre a uma astúcia nascida da sua cobardia inata - e retoma o contacto com o incansável inspector Flint.
Corrosivo e divertido,
A Alternativa Wilt denuncia com humor as anomalias que no nosso tempo se tornaram norma.
Fonte: www.wook.pt

Linked movies...


 Até à Eternidade ("From Here to Eternity", 1953) - vencedor de 8 óscares, incluindo o de melhor actor secundário (Frank Sinatra). Baseado no livro com o mesmo título, de James Jones.


Linked books...

Surgem neste livro a referência a algumas "novas" obras para este blogue, bem como outras já referenciadas anteriormente. Para além das obras referidas no texto, acrescentou-se o livro em que se baseou o filme anteriormene mencionado.

Assim Falava Zaratustra - Friedrich Nietzsche
Paraíso Perdido - John Milton
O Deus das Moscas  - William Golding 
Finnegans Wake - James Joyce 
O Vento nos Salgueiros - Kenneth Grahame
Filhos e Amantes - D.H. Lawrence
Rikki-Tikki-Tavi - Rudyard Kipling
O Capital - Karl Marx
Até à Eternidade - James Jones 
A Abadia do Pesadelo - Thomas Love Peacock


Linked citations...

A citação que surge no texto é a de Lord Byron, que me levou à "resposta" de Mark Twain.


"É estranho - mas é verdade, pois a verdade é sempre estranha;
Mais Estranho que a ficção."

George Gordon, Lord Byron "Don Juan"



A verdade é mais estranha que a ficção, mas é porque a ficção é obrigada a manter as possibilidades. A verdade não é.
Mark Twain

Linked people...

São várias as personalidade que surgem mencionadas no livro, umas que eu desconhecia, e outras de quem apenas vagamente ouvira falar. Listo em baixo alguns desses nomes, com os respectivos links para quem procure uma informação mais completa.


Margot Fonteyn (1919 - 1991)

Muggsy Spanier (1906 - 1967)

André Gide (1869 - 1951) Nobel da Literatura de 1947


Klemens Wenzel von Metternich (1773 - 1859)

Johann Gottlieb Fichte (1762 - 1814) - filósofo alemão




Linked places... 

Alguns dos locais mencionados no livro despertaram-me a vontade de "procurá-los". São eles:

Soho (distrito de Londres)

Hyères (França)


Port Said (Egipto)

Linked words... 

As palavras deste livro que necessitei de rever ou aprender foram:

clematitiePlanta ranunculácea, trepadeira.
prandial  - Relativo a refeição.
sionismo Estudo das coisas relativas a Sião (Jerusalém). Doutrina que pretendia o estabelecimento de um estado israelita independente na Palestina.
teodolito - Instrumento geodésico que serve para levantar plantas, medir os ângulos reduzidos ao horizonte, as distâncias zenitais e os azimutes.
bauxites  - Hidróxido de alumínio, filão desse metal. (Serve para descorar e dessulfurar gorduras minerais. A América do Sul satisfaz um quinto do consumo mundial de bauxite.)
    

Friday, April 13, 2012

A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile - Gabriel García Márquez

"First Link"....

Este livro surgiu-me completamente por acaso, e não por nenhuma referência deste blogue. Contudo o autor, é em si uma referência da literatura. Veio-me parar às mãos enquanto oferta da revista Sábado, quando numas "mini férias" por altura da Páscoa, a adquiri. O senhor que me vendeu a revista perguntou-me se queria escolher um outro livro, mas nem sequer hesitei quando vi o autor, e verifiquei que desconhecia por completo esta sua obra. E não me arrependi.

Linked opinion...

Não foi o primeiro livro que li deste autor, mas foi o primeiro deste género. Distando enormemente do tipo de livros que tenho lido ultimamente, foi refrescante percorrer este livro-documentário. O cunho literário que o autor conferiu a este relato da aventura clandestina do protagonista, dá-lhe uma fluidez e um encanto que poucos livros deste género atingem. Foi com enorme interesse e emoção que com o protagonista fui levada ao Chile que Littín encontrou na sua viagem e ao Chile de antigamente. O interesse pelo Chile, a sua história, os seus locais, as suas gentes, já em mim havia sido despertado por Isabel Allende, uma outra autora do meu coração. A aprendizagem constante a cada página e a inevitável ligação emocional ao protagonista, acrescem à riqueza desta obra. Aconselho a sua leitura a quem goste de ler Gabriel García Márquez e tenha interesse pelo Chile. Dado o carácter único deste livro optei por incluir em seguida, informação resumida sobre o livro, e de como ele surge com o cunho de García Márquez.

Linked review...

"Este livro é uma reportagem em que o escritor colombiano, Prémio Nobel de literatura em 1982, dá voz ao cineasta chileno Miguel Littín que, em 1985, conseguiu entrar clandestino no seu país. A exemplo do que fez em "Relato de um Náufrago" Gabriel García Márquez escreveu "A Aventura de Miguel Littín, Clandestino no Chile" inteiramente na primeira pessoa de forma a assegurar a autenticidade sobretudo no que se refere às emoções do depoimento. Proibido de entrar no Chile pela ditadura do general Augusto Pinochet, Littín submeteu-se não só a uma mudança de personalidade, mas também de aspecto físico e da sua pronúncia não tendo sido reconhecido sequer pela sua própria mãe nem pelos soldados do palácio presidencial La Moneda, onde teve a audácia de entrar, tendo estado mesmo a poucos metros do gabinete de Pinochet, mesmo sabendo que corria o risco de ser fuzilado no caso de ser reconhecido. Fingindo um casamento Littín conseguiu entrar no Chile com várias equipas de filmagem independentes. Seguem-se os encontros clandestinos com membros da oposição, os testemunhos da população, a adoração pelo falecido salvador Allende, idolatrado como um Deus. Gravam um filme de quatro horas para a televisão e outro de duas horas para o cinema. Ambos seriam, mais tarde, projectados nos quatro cantos do planeta como instrumento de denúncia da ditadura de Pinochet. São estas as bases documentais de um documentário lançado em 1986 "Acta General de Chile" que viria a ser galardoado no Festival de Veneza e que fez aumentar a pressão internacional contra o regime do general ditador."

"Este é um livro essencialmente documental que Gabriel García Márquez escreveu a partir de uma entrevista do cineasta ao próprio escritor de que resultaram 18 horas de gravação. Nele são relatados ainda vários episódios que não foram revelados nos filmes. Nele se contam os êxitos e os contratempos de todo o processo de filmagens, permeados por esquemas de segurança, nostalgia e revolta. Alguns nomes bem como algumas referências a datas e a locais foram alterados, para segurança de pessoas que continuaram a viver no Chile. Esta é, sem dúvida nenhuma, uma obra ímpar, de leitura obrigatória."

Fonte:  http://www.netsaber.com.br

Linked books...

São três as obras referenciadas neste livro. Diz-se da primeira aqui referida, que Gabriel García Márquez, após a ter lido terá deitado para o lixo o seu primeiro manuscrito de "Cem Anos de Solidão". Fica assim uma enorme curiosidade de ler esta obra, bem como a vontade de ler Pablo Neruda (a segunda referência aqui listada). Em relação à terceira obra referida, duvido ter curiosidade suficiente para de facto a ler, dado o cariz do seu conteúdo, e duvido até que exista uma edição em português. Contudo não pode deixar de figurar nesta lista. Para além das obras referidas no próprio texto, surge no resumo que encontrei em http://www.netsaber.com.br, a referência à obra "Relato de Um Náufrago" , por o autor, à imagem do que faz neste livro, o ter escrito inteiramente na primeira pessoa. Tendo-me ficado a curiosidade, optei por incluí-lo aqui. As obras assim referidas são:

Os Passos Perdidos - Alejo Carpentier
Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada - Pablo Neruda
Raza Chilena - Nicolas Palacios
Relato de Um Náufrago - Gabriel García Márquez


Linked movies...

Sendo o protagonista desta "aventura no Chile" um cineasta, considerado até o maior cineasta chileno da actualidade, é com naturalidade esperada que surgem  referências a obras cinematográficas. Procurei-as para tentar deixar neste blogue os links necessários para quem queira saber/ver mais.




Amadeus de Milo Forman

Hiroshima Meu Amor de Alain Resnais


Linked songs...

Estas foram as músicas referenciadas no livro, que consegui encontrar para partilhar aqui.

Yo Pisaré Las Calles Novamente - Pablo Milanés 
(video em homenagem a Miguel Littín com a canção de Pablo Milanés referida no livro)


Sabrás que te Quiero de Teddy Fragoso
(aqui interpretado por Antonio Prieto)


Gracias a La Vida de Violeta Parra

Brahms - Sonata No.3 D Minor - Adagio
(foram referidas as "Sonatas de Brahms", sem especificar, tendo eu tomado a liberdade de escolher este video para partilhar aqui)


Linked people...

Várias são as personalidades referidas neste livro. Partilho-as aqui, bem como links para quem, sobre as mesmas desejar saber mais.

Joaquín Toesca (arquitecto italiano, que desenhou entre outras obras, o Palácio de La Moneda, em Santiago, Chile)

Luis Emilio Recabarren (1876 - 1924) - político chileno


Osvaldo Romo, também conhecido por Guatón Romo (agente da Direcção de Inteligência Nacional, torturador do regime de Pinochet, considerado um dos agentes mais sanguinários do regime)

Diego Portales (1793 - 1837) político e empresário chileno

Baldomero Lillo  (1867 - 1923) - escritor chileno

Matías Cousiño Jorquera (1810 - 1863) - empresário chileno

Marmaduke Grove (1878 - 1954) - militar, revolucionário e político chileno

 Linked words...

Listo em seguida as palavras "novidade" (para mim, é claro) desta obra.

serôdio - Que vem no fim da estação própria. = TARDIO .Que aparece ou acontece fora do tempo que é considerado próprio. Que já se sabe há muito tempo. = ANTIGO, VELHO.

catadura - Aspecto do semblante (considerado como revelador do estado do ânimo). Aparência.

sicário - Assassino contratado.